
Um relatório da Polícia Federal (PF) que integra os autos do caso Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF) registra que o Instituto de Seguridade do Servidor Municipal de Camaçari aplicou R$ 15 milhões no fundo Sculptor em 21 de novembro de 2017 e levanta a suspeita de que foi pago propina de até 20% a dirigentes. A aplicação ocorreu na gestão do então prefeito Elinaldo Araújo, hoje no União Brasil e aliado de ACM Neto. A nomeação da direção do órgão cabia ao prefeito.
Os aposentados e servidores que dependem desse patrimônio foram prejudicados. Os R$ 15 milhões aplicados pertenciam ao instituto responsável pela previdência dos servidores municipais. Ao colocar os recursos em uma instituição que já apresentava problemas de liquidez, a Prefeitura de Camaçari direcionou o dinheiro dos aposentados para um fundo que acabou sendo extinto pelo Banco Central.
O documento é explícito quanto ao momento da aplicação e destaca as suspeitas de pagamento de até 20% em propina. "Camaçari aportou R$15MM no fundo SCULPTOR em um momento em que já se sabia de problemas na carteira do fundo. Foi o último cotista a entrar, tendo o fundo permanecido fechado por falta de liquidez desde então", diz o relatório, produzido pelo laboratório de tecnologia contra lavagem de dinheiro da Superintendência da PF em São Paulo.
Em seguida, a análise afirma: "inferimos que o consultor MATTEO ofereceu vantagens indevidas aos dirigentes de CAMAÇARI em troca do aporte de R$15MM no fundo SCULPTOR". O relatório se refere a Renato de Matteo Reginatto, sócio da Di Matteo Consultoria Financeira, hoje DMF Advisers.
Segundo a PF, o dinheiro dos servidores não foi usado para comprar ativo algum. A polícia sustenta a hipótese de direcionamento das aplicações com base em documento apreendido na sede da gestora, no qual aparecem municípios e as "respectivas comissões por indicações".
*ACM Neto e o Banco Master*
Uma proposta de delação premiada não homologada apresentada por Daniel Vorcaro indica que ACM Neto, aliado de Elinaldo, teria atuado para levar R$ 2 bilhões de institutos de previdência ao Master e receber, como contrapartida, até R$ 200 milhões, o equivalente a 10% em propina.
O banqueiro afirma ainda que o ex-prefeito de Salvador mantinha uma espécie de “conta corrente” no banco para acompanhar os valores das comissões e que parte dos pagamentos teria sido feita em espécie ou por meio de contratos que Vorcaro classifica como de fachada.
*Crédito: Vinicius Angelin*
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