
A vereadora Marta Rodrigues (PT) afirmou, nesta quinta-feira (10), que as novas informações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master ampliam o desgaste político do ex-prefeito de Salvador e candidato ao Governo da Bahia, ACM Neto. Segundo informações divulgadas pela imprensa nesta quinta, uma proposta de delação atribuída a Vorcaro afirma que Neto e Antônio Rueda, presidente nacional do partido, teriam direito a 10% dos aportes feitos por institutos de previdência no banco. Conforme o relato, o percentual corresponderia a cerca de R$ 200 milhões.
“Não estamos falando de pouco dinheiro. Estamos falando de R$ 200 milhões, segundo o relato atribuído a Vorcaro, que seriam destinados a ACM Neto e Antônio Rueda. É uma cifra gigantesca e que precisa ser explicada. Qual era o papel deles nessas operações? Por que teriam direito a esse percentual? A sociedade baiana precisa saber qual era a natureza dessa relação”, afirmou.
De acordo com a vereadora, o caso se soma aos R$ 3,6 milhões pagos pelo Banco Master e pela Reag a uma empresa ligada a ACM Neto em contratos de consultoria. Para Marta, os episódios, analisados em conjunto, tornam cada vez mais difícil tratar a relação entre o ex-prefeito e o grupo de Vorcaro como uma simples relação comercial.
“Primeiro aparecem R$ 3,6 milhões em uma consultoria. Agora surge um relato falando em R$ 200 milhões. Não estamos falando de uma quantia qualquer. São valores que exigem transparência e explicações detalhadas. ACM Neto precisa dizer quais serviços foram prestados, em que condições e qual era, de fato, sua relação com o Banco Master”, cobrou.
Segundo Marta, o contexto ganha ainda mais peso diante da relação já pública entre Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro e da proximidade política entre o senador e ACM Neto. Para a vereadora, os três nomes passaram a aparecer em um mesmo ambiente político e financeiro, o que aumenta a pressão sobre o candidato ao governo.
“As peças estão se juntando. Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro têm uma relação que já veio a público. ACM Neto, por sua vez, tem uma relação política muito próxima com Flávio Bolsonaro e uma relação profissional com o Banco Master. Agora aparece esse relato de Vorcaro envolvendo ACM Neto e Antônio Rueda. É muita coisa para simplesmente dizer que não existe relação”, declarou.
Conforme Marta, a aproximação entre ACM Neto e Flávio Bolsonaro também deixou de ser apenas uma articulação de bastidores durante a manifestação de 7 de Setembro, no Farol da Barra, em Salvador. Segundo ela, as bandeiras e manifestações políticas presentes no ato tornaram público o alinhamento entre os dois.
“Ali no Farol da Barra não tinha mais como esconder. As bandeiras afloraram e deixaram explícito aquilo que eles tentam esconder quando falam para a imprensa: Flávio Bolsonaro está com ACM Neto e ACM Neto está com Flávio Bolsonaro. Foi o dia em que essa aproximação ficou escancarada”, afirmou
“Quem quer governar a Bahia precisa dizer claramente de que lado está. Do lado das necessidades da população ou do lado das relações privilegiadas com banqueiros, empresários e grupos políticos? A Bahia não pode voltar a uma política em que o poder serve para abrir portas para os grandes interesses econômicos”, afirmou.
A vereadora contrapôs essa postura à atuação do governador Jerônimo Rodrigues (PT). Conforme Marta, o governo estadual tem adotado uma política de diálogo territorial, com presença nos 27 territórios de identidade e escuta das demandas da população.
“Jerônimo fez o caminho inverso. Foi aos 27 territórios, conversou com a população e colocou as demandas das pessoas no centro da construção das políticas públicas. É transparência e diálogo, não relação de bastidor. É uma diferença de projeto que precisa ser discutida pela Bahia”, declarou.
De acordo com Marta, o conjunto dos episódios torna cada vez maior o desgaste político de ACM Neto. “O abacaxi está ficando cada vez maior nas mãos de ACM Neto. E agora estamos falando de R$ 200 milhões. A cada novo fato, aumenta a responsabilidade de explicar. O povo baiano não é bobo e merece saber quais são as relações políticas e econômicas que cercam quem pretende governar o Estado”, disse. .
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