
Comunidades indígenas Guarani e Kaiowá de Mato Grosso do Sul denunciam uma escalada de violência e ameaças após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, realizado no último domingo (25). Segundo a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), os relatos apontam para possíveis atos de retaliação relacionados ao resultado eleitoral e ao voto atribuído às comunidades indígenas. (CartaCapital)
Entre as denúncias estão atropelamentos, ameaças de morte, agressões e uma mensagem de áudio atribuída a um servidor público de Tacuru (MS) na qual é mencionada a possibilidade de colocar veneno na água utilizada por uma comunidade indígena. O servidor foi afastado pela prefeitura, que também instaurou procedimento administrativo para apurar sua conduta. (Agência Brasil)
A Apib afirma ainda que mensagens compartilhadas após a eleição faziam referência ao voto dos indígenas e continham ameaças de violência, inclusive com menções a armas de fogo e restrição de direitos. As denúncias foram encaminhadas ao Ministério Público Federal e ao Ministério dos Povos Indígenas. (CartaCapital)
Outro episódio ocorreu em Tacuru, onde a casa de reza de uma indígena de 90 anos, na aldeia Jaguapiré, foi incendiada. Segundo a Apib, o fogo destruiu instrumentos sagrados utilizados nos rituais tradicionais Guarani e Kaiowá. O caso também está sendo acompanhado pelas autoridades federais. (Agência Brasil)
Diante das denúncias, o Ministério dos Povos Indígenas e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) acionaram a Polícia Federal. Os Ministérios dos Povos Indígenas, dos Direitos Humanos e da Igualdade Racial também criaram uma força-tarefa para reunir os relatos, acompanhar as investigações e identificar eventuais responsáveis. (Serviços e Informações do Brasil)
O Ministério Público Federal abriu procedimentos para apurar os casos, mas ressalta que nem todas as denúncias que circularam nas redes sociais foram confirmadas. Em Naviraí, por exemplo, o órgão concluiu que um caso inicialmente apresentado como possível ataque político contra indígenas resultou de um conflito familiar e interpessoal, sem motivação política ou étnica. (Agência Brasil)
As autoridades investigam, portanto, quais episódios possuem relação efetiva com o contexto eleitoral e quais decorrem de outras circunstâncias. A Funai classificou os relatos como preocupantes por envolverem possíveis ameaças à vida e à integridade física de indígenas, além de possíveis manifestações de discriminação e incitação ao ódio. (Serviços e Informações do Brasil)
A situação reacende também o debate sobre a violência historicamente enfrentada pelos povos Guarani e Kaiowá em Mato Grosso do Sul, especialmente em áreas marcadas por conflitos territoriais. Para organizações indígenas, os episódios registrados após a eleição devem ser investigados com rigor e não podem ser tratados como casos isolados.
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