
Documentos enviados pela Prefeitura de Salvador ao Supremo Tribunal Federal (STF) indicam que a gestão do prefeito Bruno Reis (União Brasil) autorizou, para o segundo turno das eleições, no domingo (25), intervalos maiores entre viagens de ônibus em linhas importantes da capital baiana.
A programação foi questionada pelo Partido dos Trabalhadores (PT), que acusou a prefeitura de prejudicar o deslocamento dos eleitores. Diante de denúncias de baixa circulação, o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) determinou a liberação integral da frota e chegou a autorizar a prisão do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza.
As informações foram divulgadas pelo jornal O Globo, em reportagem assinada por Bernardo Mello nesta terça-feira (27).
Segundo os documentos analisados pelo jornal, um ofício encaminhado pela prefeitura às empresas de ônibus em 19 de outubro previa intervalos superiores aos praticados normalmente em dias úteis em linhas que atendem regiões como Lapa, Mussurunga e Pirajá.
Na linha 1328, entre Pirajá e Mussurunga, as viagens estavam programadas para ocorrer a cada 40 a 50 minutos no domingo. Em dias úteis, o intervalo informado pela própria Secretaria de Mobilidade é de 25 a 30 minutos.
Já a linha 1246, que liga Pirajá a Patamares, tinha previsão de intervalo de 70 minutos durante a eleição, contra 22 minutos em dias de semana.
Na linha 141, entre a Estação da Lapa e o Hospital Geral do Estado, em Brotas, a programação indicava viagens a cada 55 minutos, enquanto o intervalo habitual seria de aproximadamente 22 minutos.
Outra linha citada foi a 1324, entre a Estação Pirajá e Sete de Abril, passando por Cajazeiras. A frequência prevista nos dias úteis era de 26 minutos, mas o planejamento para o domingo eleitoral apontava intervalos de 40 a 50 minutos.
944 ônibus estavam parados
Uma fiscalização realizada pelo Procon-BA encontrou 944 ônibus parados em sete garagens. A frota total das três empresas que operam o sistema de transporte de Salvador é estimada em cerca de 1,7 mil veículos.
O número chamou atenção porque representava mais da metade da frota total.
O prefeito Bruno Reis afirmou que parte dos veículos poderia pertencer à frota reserva e sustentou que, caso houvesse descumprimento da programação, a responsabilidade seria das empresas.
A prefeitura também atribuiu parte dos problemas registrados pela manhã à colocação de adesivos com o número 13 nos vidros dos ônibus. Segundo a gestão municipal, o material teria sido colocado por sindicalistas apoiadores do PT e posteriormente retirado por funcionários.
O caso ganhou repercussão nacional porque envolve o direito de circulação dos eleitores justamente no dia da votação. Os documentos encaminhados ao STF passaram a ser utilizados para avaliar se houve ou não redução deliberada da oferta de transporte público durante o segundo turno.
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