
Uma publicação atribuída a um setorista do Esporte Clube Vitória, contendo a imagem de uma arma acompanhada da frase “PT só na cintura”, provocou reação do fundador da torcida Orgulho Rubro-Negro, Wendel de Queiroz.
Em nota pública de repúdio, Wendel afirmou considerar preocupante a utilização de símbolos associados à violência em manifestações de caráter político. Segundo ele, o episódio deve servir para uma reflexão sobre a responsabilidade no discurso público e sobre a necessidade de preservar espaços democráticos e livres de preconceito.
“Não podemos ignorar a vulnerabilidade de quem historicamente sofre com a violência e a discriminação”, afirmou Wendel.
Defesa da torcida e do Barradão
Na manifestação, Wendel também relembrou sua trajetória no futebol. Segundo ele, a Orgulho Rubro-Negro foi fundada quando tinha 16 anos com o objetivo de afirmar a presença de pessoas LGBTQIA+ nas arquibancadas do Vitória.
Para o fundador da torcida, a discussão ultrapassa a questão esportiva e envolve pertencimento e representatividade.
Wendel, que tem trajetória em Madre de Deus e atualmente mora em Candeias, defendeu que o Vitória preserve sua identidade popular e que o Barradão continue sendo um espaço de trabalhadores, famílias, juventude periférica e torcedores de diferentes municípios da Bahia.
“O Barradão é do trabalhador, da juventude periférica, das famílias e de quem enfrenta dificuldades para acompanhar o próprio time”, declarou.
“Torcedor não é apenas consumidor”
Outro ponto destacado por Wendel foi a relação entre modernização e identidade do clube. Ele afirmou que mudanças no futebol não devem resultar no afastamento da torcida de sua história.
“Modernizar não pode significar excluir. O torcedor não é apenas consumidor: é parte da história, da identidade e da existência do clube”, escreveu.
Wendel ressaltou que a manifestação representa seu posicionamento pessoal e não pretende falar em nome de toda a Orgulho Rubro-Negro. Também afirmou que o objetivo não é promover um ataque pessoal a Rafa Reina.
Ao final da nota, o fundador da torcida reforçou a defesa de uma arquibancada plural e acolhedora.
“O Vitória é do povo! O Barradão é a casa da nossa gente!”, concluiu.
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