19°C 33°C
Candeias, BA
Publicidade

ACM Neto liderou esquema com transporte de dinheiro vivo em jatinho, aponta PF

Relatório da Polícia Federal cita suposto esquema de contratos superfaturados em Belo Horizonte, movimentação de dinheiro em espécie e 232 contatos entre ACM Neto e o empresário Marcos Moura, conhecido como “Rei do Lixo”

01/10/2026 às 07h03
Por: Redação
Compartilhe:
ACM Neto liderou esquema com transporte de dinheiro vivo em jatinho, aponta PF

 

Por André Uzêda

Segundo reportagem do ICL Notícias, um relatório da Polícia Federal (PF), produzido no âmbito da Operação Overclean, aponta ACM Neto, candidato ao governo da Bahia pelo União Brasil, como liderança de uma organização criminosa que teria operado um esquema fraudulento dentro da Prefeitura de Belo Horizonte. De acordo com o documento citado pelo ICL, o esquema teria movimentado cerca de R$ 1,4 bilhão em contratos públicos investigados por suspeitas de corrupção, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro.

Ainda segundo o ICL Notícias, parte dos valores teria sido transportada em dinheiro vivo, em malas levadas em jatinhos durante voos fretados. O relatório da PF, conforme a publicação, afirma que ACM Neto “exerce a função de liderança da organização criminosa constituída para obtenção de recursos públicos a partir de contratos públicos superfaturados”.

A informação também foi noticiada pela CNN Brasil nesta quarta-feira (30).

Procurado por meio de sua assessoria, ACM Neto não respondeu aos questionamentos apresentados pela reportagem do ICL Notícias. O espaço permanece aberto para manifestação.

O “Rei do Lixo”

Ainda segundo o ICL Notícias, a PF aponta o empresário baiano Marcos Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, como intermediário de negociações com o então prefeito de Belo Horizonte, Fuad Noman (PSD), que morreu em março de 2025.

De acordo com o relatório citado pela publicação, em 2 de dezembro de 2024, após ser reeleito em Belo Horizonte, Noman teria iniciado tratativas para a formação de seu novo secretariado e conversado com Marcos Moura.

Mensagens extraídas do celular do empresário e analisadas pela PF mostram, segundo o ICL, que o então prefeito teria enviado uma fotografia de um papel manuscrito contendo referências à Secretaria de Combate à Fome e à Secretaria de Mobilidade Urbana. Na sequência, Noman teria escrito duas vezes para Moura: “escolhe”.

Ainda conforme a reportagem, Marcos Moura respondeu: “vou conversar com Rueda e Neto e falo com o senhor”. A referência a Rueda seria a Antonio Rueda, presidente nacional do União Brasil.

Após a conversa, a PF teria identificado uma ligação de aproximadamente sete minutos entre Marcos Moura e ACM Neto.

Na sequência, segundo o ICL, Moura retomou o contato com Fuad Noman e apresentou uma contraproposta envolvendo também a Secretaria de Educação. O então prefeito teria mencionado um acordo com o PT, mas demonstrado disposição para rever as tratativas.

Educação sob investigação

O relatório da PF citado pelo ICL também menciona Bruno Barral, ex-secretário de Educação de Belo Horizonte, que permaneceu no cargo após a reeleição de Fuad Noman.

Barral era assessorado por Flávia Bittencourt. De acordo com a PF, conforme reproduzido pelo ICL Notícias, ela teria desempenhado papel relevante na organização investigada, coordenando processos de contratações que os investigadores consideram fraudulentas.

Mensagens extraídas do celular de Flávia Bittencourt também são citadas no relatório. Segundo a investigação, ela teria afirmado a um interlocutor que sua indicação havia sido aprovada por ACM Neto.

Antes de assumir a função na Prefeitura de Belo Horizonte, Flávia Bittencourt ocupou o cargo de Gerente Central de Materiais e Patrimônio da Prefeitura de Salvador durante o segundo mandato de ACM Neto.

A defesa de Marcos Moura foi procurada pelo ICL Notícias, mas não respondeu. Bruno Barral e Flávia Bittencourt também não foram localizados para comentar as acusações.

Licitações na área da educação

Ainda segundo o relatório da PF citado pelo ICL, o grupo investigado teria atuado para favorecer empresas em processos de contratação da Secretaria de Educação de Belo Horizonte, com suspeitas de direcionamento de licitações e sobrepreço.

Uma das empresas mencionadas é a Brasil Sustentável, que atua no mercado editorial e produz livros paradidáticos.

Segundo a reportagem, mensagens analisadas pela PF indicariam que Flávia Bittencourt teria mantido conversas com Alexandre Camargo, representante comercial da empresa, durante a elaboração do processo de licitação. O conteúdo incluiria discussões sobre preços e a participação do representante na formulação do edital, publicado em 25 de setembro de 2024.

Em 30 de dezembro daquele ano, a Secretaria de Educação de Belo Horizonte teria firmado contrato com a Brasil Sustentável no valor de R$ 40 milhões, com vigência de 12 meses.

O relatório também cita outros contratos. Entre eles, um de R$ 7,8 milhões com a Iptech Soluções Integradas e outro de R$ 54,2 milhões com a Trinity Tecnologia Educacional.

Segundo a PF, o Grupo Movimenta, com contrato de R$ 30 milhões, também teria sido beneficiado em processo licitatório.

Outro caso citado é o da LarClean Saúde, dos irmãos Fábio e Alex Parente, que teria firmado contrato de R$ 24,6 milhões para serviços de controle e combate a pragas urbanas, incluindo retirada de insetos, ratos, cupins, além do desalojamento de pombos e morcegos e higienização de caixas-d’água.

O ICL Notícias informou que procurou todas as empresas citadas por meio dos contatos oficiais disponíveis, mas não havia recebido manifestação até a publicação da reportagem.

Malas de dinheiro em jatinhos

Outro ponto destacado pelo relatório da PF, segundo o ICL Notícias, envolve a movimentação de dinheiro em espécie por meio de aeronaves fretadas entre São Paulo e Salvador.

De acordo com a investigação, no período posterior à vitória da Brasil Sustentável na licitação para fornecimento de livros paradidáticos, Marcos Moura teria determinado que um homem identificado como Clebson Oliveira viajasse a partir do Aeroporto de Congonhas transportando dinheiro vivo.

O valor estimado pelos investigadores seria de aproximadamente R$ 5 milhões em espécie.

A viagem teria ocorrido em 19 de novembro de 2024, com embarque no hangar da empresa VOAR. Segundo o ICL, o piloto ouvido pela PF afirmou se lembrar da presença de “cinco ou seis malas” sendo colocadas na aeronave.

Ainda conforme o relatório citado pela reportagem, durante o voo Marcos Moura teria entrado em contato com ACM Neto em uma ligação de aproximadamente três minutos.

A PF também identificou, segundo o documento, 232 contatos entre ACM Neto e Marcos Moura entre agosto e dezembro de 2024.

As informações fazem parte de uma investigação em andamento. As acusações e suspeitas descritas na reportagem ainda dependem da apuração das autoridades competentes e do devido processo legal.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Lenium - Criar site de notícias