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Polícia Federal pediu afastamento de Bruno Reis do cargo de prefeito

Polícia Federal pediu afastamento de Bruno Reis do cargo de prefeito

29/09/2026 às 17h27
Por: Redação
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Polícia Federal pediu afastamento de Bruno Reis do cargo de prefeito

 

A Polícia Federal pediu ao Supremo Tribunal Federal o afastamento do prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), e a realização de busca e apreensão contra ele no âmbito da Operação Overclean. A informação foi publicada pelo UOL.

A revelação coloca Bruno diretamente no conjunto de medidas solicitadas pela PF durante a investigação, que apura suspeitas de fraudes em contratos públicos, organização criminosa, lavagem de dinheiro e crimes contra a administração pública. Indicado para o Supremo pelo então presidente Jair Bolsonaro, o ministro Nunes Marques não acatou o pedido de afastamento.

O nome do prefeito já havia aparecido em reportagens sobre personagens investigados pela Overclean. O Metrópoles revelou a relação pessoal, empresarial e imobiliária de Bruno Reis com Samuel Franco, o Samuca, empresário apontado pela Polícia Federal como operador financeiro do esquema.

Segundo o Metrópoles, Samuca adquiriu dois apartamentos no condomínio Bay View, em Barra Grande, na Península de Maraú. Testemunhas ouvidas pelo veículo afirmaram que um dos imóveis, embora registrado em nome do empresário, teria Bruno Reis como verdadeiro proprietário.

A reportagem relatou que o prefeito teria participado da escolha e da negociação do apartamento e acompanhado pessoalmente serviços de decoração, instalação de ar-condicionado, vidraçaria e reforma do mobiliário. O Metrópoles informou ainda que, quando adquiridas, as unidades estavam avaliadas em aproximadamente R$ 900 mil cada.

A ligação entre os dois vai além do imóvel. Bruno Reis e Samuca Franco são sócios na SPE Vento Sul Empreendimentos Imobiliários. De acordo com documentos da Junta Comercial da Bahia citados pelo Metrópoles, Bruno adquiriu, por meio da BB Patrimonial, 10% das cotas da empresa, enquanto Samuca permaneceu com 90%.

Bruno também já se referiu publicamente a Samuca como um “irmão que a vida deu” e afirmou manter contato frequente com o empresário. Samuca foi alvo da terceira fase da Overclean e é apontado pela PF como um dos operadores financeiros investigados no esquema.

Outra reportagem do Metrópoles mostrou que a Prefeitura de Salvador, já na gestão de Bruno Reis, pagou R$ 48 milhões à Larclean, empresa que posteriormente se tornou alvo da Overclean. Segundo a publicação, a investigação identificou conexões indiretas entre a Larclean e Samuca por meio da BRA Teles Ltda., apontada como empresa utilizada no esquema e responsável por transferências superiores a R$ 500 mil para o empresário.

O caso de Bruno surge dentro da mesma Operação Overclean que já havia levado a PF a pedir busca e apreensão e bloqueio de bens contra ACM Neto, antecessor de Bruno na Prefeitura de Salvador, seu principal aliado político e candidato do União Brasil ao Governo da Bahia.

No caso de ACM, a PF investiga a suspeita de que ele tenha participado da indicação de Bruno Barral para a Secretaria de Educação de Belo Horizonte. Barral havia ocupado a mesma secretaria durante a gestão de ACM em Salvador. Os investigadores apuram se a indicação esteve relacionada ao direcionamento de empresários para licitações públicas com posterior pagamento de propina.

A PF também registrou centenas de contatos entre ACM Neto e José Marcos de Moura, o “Rei do Lixo”, outro personagem central da Overclean. O UOL revelou que houve comunicação entre os dois inclusive em um dia no qual, segundo os investigadores, Moura operacionalizava uma remessa de R$ 5 milhões em dinheiro vivo.

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