
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, solicitou nesta quinta-feira (10) ao ministro André Mendonça a retirada do sigilo dos procedimentos relacionados às investigações do caso Banco Master.
O pedido ocorre em meio à crise que envolve integrantes da Suprema Corte após a divulgação de documentos e mensagens apreendidos durante as investigações que têm como um dos principais alvos o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master.
Atendendo à solicitação de Fachin, Mendonça determinou a retirada do sigilo de 14 procedimentos, além do processo principal. A decisão, porém, estabelece uma exceção: informações relacionadas a diligências cujo sigilo seja considerado indispensável para a realização das medidas investigativas poderão continuar protegidas.
A medida também prevê o encaminhamento de cópias dos autos à Presidência e aos demais gabinetes do STF. O objetivo é permitir que os ministros tenham acesso aos documentos relacionados ao caso antes da sessão plenária marcada para a próxima terça-feira (15).
Crise dentro do Supremo
O caso ganhou novas proporções depois que Mendonça tornou público um relatório da Polícia Federal que reúne mensagens recuperadas do celular de Daniel Vorcaro e que fazem referência ao ministro Alexandre de Moraes.
Segundo informações divulgadas pela Agência Brasil, as mensagens levantaram questionamentos sobre uma relação entre Vorcaro e Moraes. O ministro, por sua vez, apresentou documentos que apontam possíveis irregularidades na condução das investigações por Mendonça.
A crise provocou uma sequência de decisões entre os ministros do Supremo e também envolveu a Procuradoria-Geral da República (PGR).
Fachin retirou do âmbito do chamado inquérito das fake news o pedido de investigação apresentado por Moraes contra Mendonça e passou a analisar o caso em procedimento separado.
Sessão do STF
O plenário do Supremo deverá analisar na terça-feira (15) o relatório da Polícia Federal relacionado às mensagens entre Vorcaro e Moraes, além do pedido da PGR para que seja discutida a validade das investigações conduzidas por Mendonça.
A decisão de ampliar a publicidade dos autos ocorre também após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defender a quebra completa do sigilo das investigações relacionadas ao Banco Master.
Lula afirmou que a transparência deveria alcançar todos os envolvidos, “doa a quem doer”, e criticou o que classificou como vazamentos seletivos em meio ao cenário eleitoral.
Apesar da determinação para ampliar a publicidade, o sigilo não foi abolido de forma absoluta. Caberá ao relator André Mendonça preservar informações cuja divulgação possa comprometer diligências ainda em andamento.
O caso continua sob investigação e, até o momento, as suspeitas e acusações mencionadas nos documentos não representam, por si só, conclusão definitiva de responsabilidade criminal dos envolvidos.
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