
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (10) uma operação para investigar suspeitas de irregularidades envolvendo o financiamento do filme “Dark Horse”, produção que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A ação mira possíveis desvios e direcionamento irregular de recursos públicos, incluindo emendas parlamentares.
Ao todo, 49 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará, além do Distrito Federal. A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e conta com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU).
Entre os alvos estão o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e a produtora Karina Ferreira da Gama, responsável pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB) e sócia da produtora Go UP Entertainment, ligada ao longa-metragem.
A investigação busca esclarecer o caminho percorrido por recursos destinados oficialmente a projetos públicos e verificar se parte desse dinheiro teria sido utilizada, de forma irregular, para financiar a produção do filme. A PF trabalha com a estratégia de rastrear as movimentações financeiras — o chamado “follow the money”.
Emendas parlamentares entram no radar
Mario Frias destinou R$ 2 milhões em emendas parlamentares, em 2024, ao Instituto Conhecer Brasil, entidade comandada por Karina Gama. O parlamentar nega que os recursos tenham sido utilizados na produção de “Dark Horse” e afirmou anteriormente que as verbas tinham finalidade social.
A apuração também se conecta a uma investigação anterior da Polícia Civil de São Paulo sobre contratos do Instituto Conhecer Brasil com a Prefeitura de São Paulo. Um dos contratos investigados, inicialmente estimado em R$ 108 milhões, chegou a cerca de R$ 157 milhões após aditivos, segundo as investigações.
Em agosto, Flávio Dino autorizou o compartilhamento com a PF dos dados apreendidos pela Polícia Civil durante a operação que atingiu empresas e endereços ligados a Karina Gama. O material passou a integrar a investigação federal sobre a possível utilização irregular de emendas parlamentares.
Financiamento do filme
O caso ganhou ainda mais repercussão após investigações apontarem que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, teria destinado dezenas de milhões de reais para o financiamento de “Dark Horse”.
Segundo uma delação premiada homologada pelo STF, cerca de R$ 61 milhões teriam sido transferidos para um fundo nos Estados Unidos destinado ao financiamento da produção. O dinheiro teria sido movimentado por empresas ligadas a Vorcaro.
As suspeitas, porém, ainda são objeto de investigação. A operação busca determinar a origem dos recursos, os beneficiários e se houve utilização de dinheiro público em desacordo com sua finalidade.
Até o momento, ser alvo de busca e apreensão não significa culpa ou condenação. A investigação deverá analisar documentos, equipamentos e dados financeiros recolhidos durante a operação para determinar se houve crime.
O caso envolve diferentes frentes de apuração e pode ampliar o cerco sobre a estrutura financeira utilizada para viabilizar o filme sobre Bolsonaro.
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