
Quando a realidade vira um problema, Bruno Reis responde com propaganda. O prefeito autorizou um crédito suplementar de R$ 15 milhões para a Secretaria Municipal de Comunicação. A publicidade ficou com a maior fatia dos sete decretos que, juntos, movimentam R$ 39 milhões: quase 40% de todo o dinheiro liberado.
Os números escancaram a prioridade. Enquanto a comunicação recebeu R$ 15 milhões, o trânsito ficou com cerca de R$ 4,2 milhões. A Secretaria de Promoção Social, Combate à Pobreza, Esportes e Lazer recebeu R$ 9,3 milhões. A propaganda ganhou R$ 5,7 milhões a mais do que toda essa área social e mais de três vezes o reforço destinado ao trânsito.
A coincidência política é impossível de ignorar. O crédito foi aberto exatamente 30 dias antes do início oficial da propaganda eleitoral e quando ACM Neto se prepara para disputar o Governo da Bahia. Como os cargos municipais não estarão em disputa em 2026, a Prefeitura não está submetida ao defeso automático da publicidade institucional. Isso não dá carta branca a Bruno Reis: a legislação impede que a máquina municipal seja usada para propósitos eleitorais.
A gastança ocorre quando Bruno Reis tenta escapar do desgaste provocado pela investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), do Ministério Público da Bahia. A apuração aponta um esquema de fraudes em licitações que teria funcionado durante dez anos dentro da Prefeitura e causado prejuízo estimado em R$ 38,3 milhões. Um secretário foi afastado, e o próprio prefeito admitiu que a administração já conhecia irregularidades envolvendo as empresas investigadas.
Como se não bastasse, a gestão ainda tenta explicar a compra de 24 toneladas de filé de cação para a merenda escolar, alvo de críticas de especialistas pelos riscos associados à presença de metais pesados e pelos impactos ambientais.
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