
A vereadora Marta Rodrigues (PT) afirmou nesta sexta-feira (17) que o prefeito Bruno Reis tem reagido de forma raivosa e descontrolada às investigações do Ministério Público sobre suspeitas de fraudes em licitações e contratos da Prefeitura de Salvador. De acordo com a petista, em vez de apresentar esclarecimentos sobre os fatos apurados, o prefeito passou a dar declarações contraditórias e atacar a oposição, comportamento que, segundo ela, apenas amplia as dúvidas da população e desvia o foco do que realmente precisa ser explicado, inclusive o fato de que as irregularidades podem ter começado na gestão de ACM Neto.
"Bruno Reis está com a bússola quebrada. Uma hora diz que sabia dos problemas envolvendo essas empresas e até agradece ao Ministério Público pela investigação. Depois muda a versão e afirma que não sabia. Agora parte para ataques contra a oposição. Está parecendo uma biruta de posto, girando conforme o vento da crise. O centro dessa discussão não é o discurso do prefeito, mas a suspeita de que esse esquema tenha atravessado duas gestões municipais", afirmou Marta.
Conforme a vereadora, quem está seguro dos próprios atos responde aos questionamentos com fatos, documentos e transparência, e não com ataques pessoais ou ofensas aos adversários políticos. Para a petista, a reação do prefeito diante da crise acaba transmitindo uma imagem de descontrole e abre ainda mais espaço para questionamentos sobre o caso.
"Quando alguém reage de forma tão raivosa e passa a atacar quem cobra explicações, em vez de responder ao conteúdo da investigação, a população naturalmente se pergunta por quê. Quem não tem o que esconder enfrenta os fatos, apresenta esclarecimentos e colabora com as investigações. O comportamento do prefeito só aumenta as dúvidas", afirmou.
Segundo Marta, as declarações de Bruno Reis continuam sem responder às principais questões levantadas pelo Ministério Público. "O que precisa ser explicado é como empresas investigadas por suspeitas de fraude continuaram firmando contratos com a Prefeitura durante anos. Quem autorizou esses contratos? Quem fiscalizou a execução? Houve falhas nos mecanismos de controle? Essas são as respostas que Salvador espera", disse.
A edil lembrou que a investigação conduzida pelo Ministério Público aponta um prejuízo estimado em R$ 38,3 milhões aos cofres públicos e indica que o suposto esquema teria começado em 2018, durante a gestão do então prefeito ACM Neto, permanecendo ativo nos anos seguintes. Para Marta, esse continua sendo o ponto central da discussão e não pode ser ofuscado pelo embate político.
"Estamos falando de R$ 38,3 milhões que, segundo a investigação, deixaram de ser investidos em políticas públicas. Esse dinheiro poderia estar reforçando a saúde, a educação, a infraestrutura dos bairros, a manutenção das escolas e tantos outros serviços essenciais. Em vez de explicar como esse esquema surgiu, por que permaneceu funcionando e quem permitiu sua continuidade ao longo de duas gestões, o prefeito prefere atacar adversários e criar novos conflitos. Salvador precisa de respostas, não de ataques", afirmou.
Marta Rodrigues defendeu que toda a apuração seja conduzida com rigor e transparência. "As investigações precisam avançar sem qualquer interferência e alcançar todos os responsáveis, independentemente do cargo ocupado ou do período em que os fatos ocorreram. Se houve prejuízo ao erário, os responsáveis precisam ser identificados e responder na forma da lei", afirmou.
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