
O União Brasil enfrenta uma das maiores crises desde sua criação. Dirigentes da sigla em pelo menos sete estados — incluindo Rio de Janeiro, Bahia e Amapá — vêm acumulando forte desgaste político ao longo do ano por conta de investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF). Os casos envolvem suspeitas que vão desde vazamento de operações policiais até fraudes em emendas parlamentares e aportes suspeitos em fundos de previdência.
O episódio mais recente ocorreu no Rio de Janeiro: o presidente da Assembleia Legislativa (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil), foi preso por suspeita de vazar uma operação da PF que tinha como alvo o deputado estadual TH Joias (MDB). A detenção integra a operação “Unha e Carne”, deflagrada na quarta-feira. A Alerj votará, amanhã, se mantém a prisão do parlamentar.
Mesmo que Bacellar seja solto, o estrago político já está feito. Ele preside o diretório estadual do União Brasil, e o caso atinge diretamente lideranças nacionais da sigla — entre elas Antonio Rueda, presidente do partido e aliado próximo do chefe da Alerj. Rueda, que pretende disputar uma vaga de deputado federal pelo Rio nas eleições de 2026, já demonstrou alinhamento com Bacellar ao pedir ao TSE que o União Brasil fosse admitido na defesa do colega no julgamento do caso Ceperj, no qual ele pode ser cassado por abuso de poder econômico.
Além disso, o próprio Rueda foi citado nas operações Carbono Oculto e Poço de Lobato, que apuram fraudes e sonegação no setor de combustíveis. Em depoimento, um piloto chegou a afirmar que Rueda seria o verdadeiro dono de aeronaves utilizadas por integrantes de uma facção criminosa — fato negado pelo dirigente. A operação de novembro, por sua vez, mirou a empresa Refit, ligada ao empresário Ricardo Magro, amigo próximo de Rueda.
Escândalo do Banco Master envolve fundos ligados ao União Brasil
Outro desgaste nacional veio em novembro, quando o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master por suspeita de gestão fraudulenta. No mesmo dia, a PF deflagrou a operação “Compliance Zero”, que prendeu o dono da instituição, Daniel Vorcaro — posteriormente solto por habeas corpus.
Investigações revelaram que fundos de previdência sob influência do União Brasil estão entre os que mais compraram papéis do Master desde 2023. O principal é o Rioprevidência, que destinou R$ 970 milhões ao banco durante a gestão de Deivis Antunes, considerado próximo ao grupo do partido no Rio. Antunes já atuou ao lado de André Nahass, ex-secretário estadual de Transportes, também indicado pelo União.
ACM Neto e o impacto nacional dos escândalos
Com a presença de lideranças como ACM Neto no comando político da sigla, o União Brasil vê sua imagem nacional abalada. Os sucessivos escândalos envolvendo caciques e aliados em diferentes estados fortalecem críticas de que o partido, apesar de se apresentar como alternativa de centro, enfrenta dificuldades para manter coesão interna e blindar sua cúpula de investigações.
A crise ocorre em um momento em que a relação do União com o governo Lula se deteriorou. Nos últimos meses, a sigla orientou seus filiados a deixarem cargos federais, acirrando ainda mais o clima político.
Enquanto as investigações avançam, cresce a pressão externa e interna por respostas concretas — e por mudanças na condução do partido, que pode chegar às eleições de 2026 com desgaste acumulado em várias frentes.
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