
Em uma demonstração de profundo distanciamento da realidade brasileira, o deputado Marcos Pereira (Republicanos) desferiu um ataque à qualidade de vida de milhões de cidadãos. Ao afirmar que "ócio demais faz mal" e que os pobres não têm recursos para ter lazer, o parlamentar não apenas defendeu a manutenção da escala 6x1, como questionou a capacidade moral e intelectual do trabalhador de gerir o próprio tempo e convívio familiar.
O Abismo da Hipocrisia
A fala de Pereira ecoa com ironia nos corredores do Congresso Nacional, onde a jornada de trabalho real dos parlamentares raramente ultrapassa os três dias úteis (terça a quinta-feira). Enquanto o deputado prega que o tempo livre é um perigo para o cidadão comum, ele e seus pares desfrutam de recessos parlamentares e folgas que custam caro aos cofres públicos.
Saúde Mental não é "Gasto", é Sobrevivência
A visão de que o descanso só serve se for "pago" (cinema, viagens, parques) ignora o básico da dignidade humana. Especialistas em saúde do trabalho foram rápidos em rebater: o tempo extra em casa é fundamental para o sono reparador, a redução do cortisol (hormônio do estresse) e a presença paterna/materna — direitos que Pereira parece considerar supérfluos para quem ganha salário mínimo.
"É uma fala que trata o trabalhador como uma engrenagem que só serve para produzir. Se não está produzindo ou consumindo, o tempo dele é visto como desperdício", afirma um dos defensores da PEC do fim da escala 6x1.
Ignorância ou Estratégia?
Ao tentar proteger a candidatura de Hugo Motta à presidência da Câmara, Pereira expôs o que muitos chamam de "analfabetismo social". Sugerir que o trabalhador não passaria tempo com a família é um julgamento de valor preconceituoso que ignora que a escala 6x1 é, justamente, o que destrói os laços familiares ao impedir que pais e filhos tenham um fim de semana comum.
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