Reflexos da crise do petróleo serão imediatos no Brasil

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O primeiro grande impacto do ataque à Arábia Saudita será o de esclarecer a política de preços de combustíveis no Brasil. Até agora, a Petrobras vinha repassando os custos para os preços do diesel de forma bem suave, ajudada pelo fato de que as cotações internacionais estavam em queda, compensando a alta do dólar. O mercado do diesel é o mais sensível e teve até a interferência direta do presidente Jair Bolsonaro. A Petrobras pode dizer que vai esperar um pouco para que a situação fique mais clara, já que as cotações nesta manhã estão em disparada, mas oscilando. A estatal não poderá deixar a impressão de que preços de combustíveis serão decididos politicamente, porque isso afetará diretamente o projeto de venda de refinarias.

O segundo impacto, até mais imediato, é na reunião do Copom que começa amanhã. Até sexta-feira era dado como certo por 100% dos analistas que os juros cairiam. Esse atentado aumenta muito a incerteza internacional e terá efeito na inflação. O que fará o Copom na decisão de depois de amanhã?

O terceiro impacto é positivo. Aumentará o interesse das grandes petrolíferas mundiais no leilão do excedente da cessão onerosa. O pré-sal se valoriza porque fica em região longe dos conflitos do Oriente Médio.

Esse atentado tem mais reflexo do que outros problemas na região porque a Arábia Saudita sempre foi a reguladora em momentos de crise, considerada o mais confiável dos fornecedores, sempre disposto a aumentar a produção para estabilizar preços. Agora ela é que é atingida e mais: ficou claro que é vulnerável.

Eles têm reservas estratégicas, os Estados Unidos também têm, mas o mercado ficará de olho na maneira como vão administrar o uso dessas reservas. Oficialmente, a monarquia absolutista saudita está dizendo que em poucas semanas vai regularizar a situação, mas os analistas da imprensa internacional, como os ouvidos pelo “Financial Times”, estão dizendo que outras fontes dizem que pode demorar muito mais.

 

O Globo