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EM SESSÃO ESPECIAL, ROSEMBERG PINTO DIZ QUE VAI LUTAR PARA INSTITUIR DIA DA CAPOEIRA NA BAHIA

EM SESSÃO ESPECIAL, ROSEMBERG PINTO DIZ QUE VAI LUTAR PARA INSTITUIR DIA DA CAPOEIRA NA BAHIA

19/08/2019 às 20h01
Por: Redação
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Foto: Reprodução
Foto: Reprodução
O valor das tradições dos povos de matriz africana foi celebrado, na manhã desta segunda-feira (19), durante Sessão Especial em Homenagem ao Dia da Capoeira, comemorado em muitos estados brasileiros no dia 3 de agosto, mas ainda sem data definida na Bahia. Proposto pelo deputado Rosemberg Pinto (PT), líder da maioria na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), o encontro significou um avanço para a elaboração de um projeto de lei que deverá instituir em território baiano uma data para a celebração do instrumento de resistência, que mescla luta, dança e esporte.
Em discurso na tribuna de honra, Rosemberg relembrou a história da capoeira, sobretudo, o período em que os adeptos sofriam perseguição. O petista usou o poder da fala também para defender a obrigatoriedade da capoeira nas escolas, assim como a necessidade de um maior reconhecimento ao povo africano na construção da cultura baiana e brasileira.
“Nós somos percebidos pela formação europeia, mas precisamos dar a devida importância à contribuição africana e indígena. Não podemos ignorar o fato da capoeira ser hoje um instrumento de conscientização da sociedade. Que o Estado da Bahia possa ter a capoeira em suas leis, pela sua importância na construção cultural”, disse o legislador.
Reconhecida Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, a capoeira é uma expressão cultural desenvolvida no Brasil por descendentes de escravos africanos. Acredita-se que a capoeira tenha surgido no Quilombo dos Palmares, na então Capitania de Pernambuco, por volta do século XVI. Para o cantor, compositor e mestre, Tonho Matéria, a criação de uma data para a capoeira na Bahia deve trazer impactos positivos.
“A definição de uma data abrirá espaço para discussões mais profundas sobre a capoeira, o que deve contribuir para o desenvolvimento social, cultural e econômico deste instrumento de resistência”, afirmou.
Professora de capoeira no município de Irará, Olívia Roberta, “a Negona”, sugeriu o dia 12 de agosto como data a ser fixada, tendo em vista que é quando se celebra a Revolta dos Búzios. Negona, que sonha em ser mestre, destacou o legado feminino na capoeira. “Nós temos muitas mulheres, negras, capoeiristas, como mestre Ritinha e mestre Brisa, que assumiram esta luta pela resistência e, que passaram os ensinamentos para as novas gerações”, exaltou.
Membro do Conselho de Capoeira da Bahia, mestre Duda ressaltou a necessidade do Estado reconhecer as organizações dos grupos ligados à capoeira em todos os estados brasileiros. Já a professora de Fundação de Cultura do Estado da Bahia (Funceb), Janaína Cavalcanti, que no ato representou a diretora da Funceb, Renata Dias, destacou as melhorias que obteve no contato com a capoeira. “Me ajudou a melhorar na dança e na arte”, afirmou.
Representando o Governo do Estado, o diretor-geral do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural do Estado da Bahia (IPAC), João Carlos Oliveira, destacou as conquistas obtidas pelos povos de matriz africana. Além disso, criticou a visão disseminada pelo Governo Federal no que se refere à cultura no país. “Muitos estados estão seguindo o caminho trilhado em esfera federal de desvalorização do âmbito cultural. Querem transformar tradição em folclore. O problema é que folclore é invenção, e tradição é existência. Não podemos deixar que a capoeira perca espaço. Temos que lutar para que a tradição seja lugar de fala”, enfatizou.
Na oportunidade, a ALBA entregou placas de homenagem aos mestres Pau de Rato, Tonho Matéria, Paredão, Bozó, Ninha, Duda, Neco, The Flash, Morcego, Aristides, Gato (in memoriam), Didi, Boca Rica e Moa (in memoriam), além do contramestre Busca Longe, e dos professores Saravá e Negona. Estiveram presentes ainda o diretor-geral do Centro de Culturas Populares e Identitárias da Bahia, André Reis; e a filha do mestre Moa do Katendê, Samonair.
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