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PT se aproxima de evangélicos e evita pautas de costumes para ampliar diálogo

PT se aproxima de evangélicos e evita pautas de costumes para ampliar diálogo

22/06/2026 às 11h04
Por: Redação
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PT se aproxima de evangélicos e evita pautas de costumes para ampliar diálogo

 

O Partido dos Trabalhadores (PT) tem adotado uma estratégia de aproximação com o eleitorado evangélico, deixando em segundo plano temas como aborto e casamento entre pessoas do mesmo sexo para focar em pautas consideradas mais próximas das preocupações cotidianas desse segmento da população.

A orientação foi detalhada pelo coordenador nacional do Setorial Inter-Religioso do PT, Gutierres Barbosa, que afirmou que assuntos ligados aos chamados “costumes” não foram debatidos durante o IV Encontro Nacional de Evangélicos do partido nem no 8º Congresso Nacional da legenda. Segundo ele, o objetivo é ampliar o diálogo com setores conservadores da sociedade sem concentrar o debate em temas que costumam gerar polarização.

De acordo com Barbosa, a prioridade é discutir questões relacionadas à convivência social, ao combate à intolerância política e à valorização do diálogo entre diferentes correntes de pensamento. O dirigente também destacou a necessidade de o partido conversar com eleitores que não se identificam tradicionalmente com a esquerda.

A estratégia ocorre em meio à busca do PT por reduzir a rejeição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva entre os evangélicos. Pesquisa Genial/Quaest apontou que, embora tenha registrado crescimento recente nesse segmento, Lula ainda enfrenta resistência significativa entre esses eleitores.

Além de ampliar a presença em espaços religiosos, o partido também tem buscado aproximação com lideranças políticas e religiosas de perfil mais moderado, incluindo nomes que já apoiaram o ex-presidente Jair Bolsonaro, mas que hoje mantêm posições mais independentes.

Outro eixo da atuação petista tem sido a defesa de uma narrativa voltada ao patriotismo e à soberania nacional. Integrantes do partido têm associado essa mensagem a críticas feitas à atuação de membros da família Bolsonaro em temas relacionados às relações entre Brasil e Estados Unidos.

Segundo dados do Censo 2022 do IBGE, os evangélicos representam 26,9% da população brasileira, o equivalente a cerca de 47,4 milhões de pessoas. O crescimento desse grupo nas últimas décadas tem aumentado sua relevância nas disputas eleitorais, tornando-o alvo estratégico tanto da esquerda quanto da direita.

Apesar da ofensiva para ampliar o diálogo com os religiosos, dirigentes petistas afirmam que a intenção é evitar a mistura direta entre religião e política partidária. Pesquisas internas citadas pelo partido indicariam que parte expressiva dos evangélicos vê com bons olhos uma postura mais institucional do presidente Lula em eventos religiosos.

O movimento sinaliza uma tentativa do PT de ampliar sua base eleitoral para além dos setores tradicionalmente alinhados ao partido, em um cenário de disputa cada vez mais acirrada pelo voto do eleitorado evangélico.

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