Bolsonaro diz na Argentina que não cederá à pressão dos EUA por concessão nuclear
Bolsonaro diz na Argentina que não cederá à pressão dos EUA por concessão nuclear
06/06/2019 às 23h22
Por: Redação
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Foto: Reprodução
BUENOS AIRES — Os presidentesJair Bolsonaro e Mauricio Macri conversaram em Buenos Aires sobre as pressões que enfrentam Brasil e Argentina por parte dos Estados Unidos para assinar o Protocolo Adicional do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP). Segundo disse ao GLOBO uma alta fonte da delegação brasileira, “os dois chefes de Estado concordaram que é necessário resistir a essas pressões”. Questionado pelo Valor, Bolsonaro disse que “de nenhuma maneira” cederá.
As pressões dos americanos, ampliou a fonte, buscam “conseguir que Brasil e Argentina permitam um maior grau de fiscalização nas instalações atômicas nos dois países”.
O Protocolo Adicional permite que as equipes da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) façam inspeções mais abrangentes e sem aviso prévio nas instalações nucleares dos países signatários do TNP. O tema foi mencionado rapidamente por Bolsonaro na declaração conjunta que deu ao lado de Macri, na Casa Rosada.
BOLSONARO FAZ SUA PRIMEIRA VISITA OFICIAL A MACRI NA ARGENTINA
Os presidentes Jair Bolsonaro e Mauricio Macri posam com uma camisa da seleção brasileira durante almoço oficial na Casa Rosada em Buenos Aires Foto: JUAN MABROMATA / AFPMacri veste um boné da seleção brasileira ao receber Bolsonaro; foi a primeira visita do brasileiro à Argentina, e o terceiro encontro entre os dois presidentes Foto: JUAN MABROMATA / AFP
Brasil e Argentina têm há 25 anos um mecanismo bilateral de inspeções mútuas, a Abacc (Agência Brasileiro-Argentina de Controle e Contabilidade de Materiais Nucleares). Por meio desse mecanismo, a Argentina controla, por exemplo, quanto urânio enriquecido o Brasil produz. O argumento tradicional dos dois países é que essas inspeções já reforçam as que são feitas pela AIEA, que também é signatária do acordo que criou a Abacc. O Livro Branco da Defesa, aprovado no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, diz que o Brasil não vai aderir ao Protocolo Adicional enquanto as potências atômicas não cumprirem sua parte do TNP e começarem a se desarmar. As pressões americanas para a assinatura do Protocolo Adicional são recorrentes. Elas já haviam sido feitas durante os governos de George W. Bush e Barack Obama e voltam agora com Donald Trump, apesar da proximidade cultivada por Bolsonaro com o atual ocupante da Casa Branca. O Brasil é um dos poucos países que não têm a bomba atômica e enriquecem urânio, para fins de produção de energia. Além disso, está construindo um submarino a propulsão nuclear, que exige um enriquecimento maior do que o usado no abastecimento de usinas nucleares. A Argentina fabrica reatores atômicos.
Na entrevista que deu na porta do hotel Alvear, onde está hospedado,Bolsonaro disse que ele e Macri conversaram sobre a integração energética e sobre os reatores nucleares. Em declaração conjunta sobre os 25 anos da Abacc, os dois presidentes expressaram a “disposição de estimular o desenvolvimento da energia nuclear para usos pacíficos na região” e prometeram trabalhar juntos em projetos específicos na área.
A declaração afirma que o acordo que criou a agência fornece "garantias robustas à comunidade internacional do uso exclusivamente pacífico da energia nuclear, para o desenvolvimento científico, tecnológico, econômico e social de ambos os países". Os dois países já tiveram um projeto de construção conjunta de um reator de pesquisas, capaz de produzir isótopos usados na medicina, em exames de imagem e tratamento de doenças como o câncer. O projeto, no entanto, não foi adiante. Quando o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) visitou Buenos Aires há um mês, fez uma palestra no Conselho Argentino de Relações Internacionais na qual o ex-chanceler Adalberto Rodríguez Giavarini criticou uma possível revisão do tratado que criou a Abacc. Ele disse que qualquer mudança deveria ser feita com muita cautela porque o tratado é uma referência mundial e uma conquista dos dois países.
Nesta quinta-feira, o filho do presidente, que preside a Comissão de Relações Exteriores da Câmara, participou de reuniões com ministros argentinos e brasileiros sobre os acordos entre os dois países relacionados à energia nuclear. Em maio, Eduardo disse em Brasília que bombas nucleares garantem a paz .
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