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Netogate: acusações viram bola de neve e põem ex-prefeito de Salvador em outro patamar na Overclean

Netogate: acusações viram bola de neve e põem ex-prefeito de Salvador em outro patamar na Overclean

22/09/2026 às 09h03
Por: Redação
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Netogate: acusações viram bola de neve e põem ex-prefeito de Salvador em outro patamar na Overclean



‎A Polícia Federal apontou ACM Neto (União Brasil) como possível líder político de uma organização criminosa investigada por suspeitas de desvio de recursos públicos em diferentes municípios do país. Segundo os investigadores, o candidato ao governo da Bahia estaria hierarquicamente acima de José Marcos de Moura, o “Rei do Lixo”, empresário já indiciado por corrupção, fraude em licitação e desvio de dinheiro. A revelação, divulgada neste domingo (21), é até agora o ponto mais grave de uma sequência de episódios que aproximaram progressivamente ACM de investigações policiais. O caso começa a ser chamado de Netogate.

‎A conclusão da PF não surgiu de repente. A investigação identificou 232 chamadas de WhatsApp entre ACM e Moura em apenas cinco meses, de agosto a dezembro de 2024. E encontrou um diálogo particularmente revelador. O então prefeito de Belo Horizonte, Fuad Noman, ofereceu a Moura espaços na administração. Antes de responder, o empresário disse: “Vou conversar com Rueda e Neto e falo com o senhor”. Para a PF, a sequência ajudou a situar ACM acima do Rei do Lixo na estrutura política investigada. Em outra conversa, uma assessora da Secretaria de Educação de Belo Horizonte escreveu que “ACM Neto aprovou” sua nomeação.

‎A Educação de Belo Horizonte ajuda a explicar como os investigadores chegaram ao ex-prefeito. Bruno Barral, secretário de Educação de Salvador na gestão ACM, assumiu a mesma pasta na capital mineira e tornou-se alvo da Overclean. A PF investiga suspeitas de irregularidades em pelo menos três contratos que ultrapassam R$ 80 milhões.

‎Há uma conexão anterior com Salvador. A Roble Serviços, pertencente a Marco André Queiroz Barral, primo de Bruno Barral, recebeu R$ 197,8 milhões da Prefeitura durante a administração ACM Neto. Na gestão Bruno Reis, acumulou outros R$ 273,3 milhões em empenhos. Somadas as duas administrações, são mais de R$ 471 milhões. O dado mostra a relação contratual anterior da família Barral com a Prefeitura de Salvador.

‎O problema é mais amplo. Cinco empresas investigadas pelo Ministério Público da Bahia sob suspeitas de fraude em licitações, direcionamento de contratos e superfaturamento receberam pelo menos R$ 321 milhões da Prefeitura de Salvador entre 2015 e julho de 2026. Os contratos atravessaram as administrações ACM Neto e Bruno Reis.

‎Também há negócios envolvendo parentes de ACM. Levantamento da Folha de S.Paulo mostrou que empresas pertencentes a parentes de integrantes e aliados de sua administração receberam R$ 715,2 milhões da Prefeitura entre 2013 e 2019. Só três empreiteiras — BSM, Roble e Metro Engenharia — receberam, em média, cerca de R$ 30 milhões por ano naquele período. Os contratos citados pela reportagem haviam passado por licitações e não eram, naquele momento, objeto de investigação.

‎A relação familiar continuou depois que ACM deixou o cargo. Em 2025, a Prefeitura contratou por R$ 30,9 milhões a Bença Comunicação e Marketing, de Flávio Costa Maron, primo de ACM. O contrato chamou atenção porque a previsão orçamentária inicial para comunicação digital era de apenas R$ 1 milhão. A Bahia Comunicação, que participa da conta publicitária municipal desde a primeira gestão de ACM, pertence a Paulo Vianna, irmão de Rosário Magalhães, mãe do ex-prefeito.

‎A própria Rosário também esteve no centro de questionamentos. O Ministério Público da Bahia abriu inquérito em 2018 para investigar possíveis irregularidades em convênios da Prefeitura com o Parque Social, entidade presidida por ela. Um deles, firmado com dispensa de licitação, previa R$ 5,6 milhões. Rosário afirmou que atuava voluntariamente e que os recursos eram fiscalizados e submetidos a prestação de contas.

‎Outro personagem que atravessa diferentes investigações é Antônio Rueda, presidente nacional do União Brasil e aliado de ACM. Ele aparece ao lado de Neto na conversa do Rei do Lixo sobre cargos em Belo Horizonte e reaparece com ACM no caso Master. Daniel Vorcaro afirmou, em proposta de colaboração que os dois atuavam na captação de recursos para o banco em troca de uma comissão de 10%.

‎No caso Master há, entretanto, um fato financeiro documentado: o banco e a Reag fizeram pagamentos milionários à A&M Consultoria, empresa de ACM.

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