
PF encontra mensagens que citam ACM Neto e Rueda em articulações do “Rei do Lixo” em BH
A Polícia Federal encontrou mensagens que citam o ex-prefeito de Salvador e candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), e o presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda, em conversas sobre a formação do secretariado da Prefeitura de Belo Horizonte. As informações foram divulgadas pela Veja nesta sexta-feira (18).
Segundo a reportagem, as mensagens foram trocadas em dezembro de 2024 entre o empresário José Marcos Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, e o então prefeito de Belo Horizonte, Fuad Noman. Na conversa, Fuad teria enviado a Moura uma lista com secretarias municipais e perguntado: “Escolhe”.
Moura respondeu que precisaria consultar duas lideranças do União Brasil: “Vou conversar com Rueda e Neto e falo com o senhor”. Na sequência, o empresário demonstrou interesse também pela Secretaria de Educação.
A investigação ocorre no âmbito da Operação Overclean, que apura suspeitas de fraudes e direcionamento de contratos públicos em Belo Horizonte. Nesta quinta-feira (17), a PF deflagrou a décima fase da operação, com 24 mandados de busca e apreensão em seis estados. Os contratos de educação investigados ultrapassam R$ 80 milhões, segundo as investigações.
Um dos alvos da nova fase é Bruno Barral, ex-secretário de Educação de Belo Horizonte. Ele também ocupou o mesmo cargo durante a gestão de ACM Neto em Salvador. A PF investiga se a indicação de Barral para a prefeitura mineira esteve relacionada ao suposto direcionamento de contratações para empresas ligadas ao grupo investigado.
Pedido de busca contra ACM Neto foi negado
A PF chegou a solicitar ao Supremo Tribunal Federal autorização para realizar busca e apreensão contra ACM Neto. A Procuradoria-Geral da República teria se manifestado favoravelmente, mas o ministro Kassio Nunes Marques, relator do caso, negou a medida por considerar que não havia base legal suficiente. Neto não foi alvo das buscas realizadas na quinta-feira.
ACM Neto nega envolvimento com os ilícitos investigados e afirmou que a divulgação do pedido de busca representa, segundo sua avaliação, uma tentativa de interferência no processo eleitoral.
A investigação continua em andamento e, até o momento, as suspeitas relatadas pela PF não equivalem a uma condenação dos citados.
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