
A Polícia Federal pediu autorização ao Supremo Tribunal Federal para cumprir mandado de busca e apreensão contra ACM Neto (União Brasil), candidato ao governo da Bahia, no âmbito da Operação Overclean. O pedido, porém, foi negado pelo ministro Kássio Nunes Marques, relator do caso no STF, segundo reportagem publicada nesta quinta-feira (17) pelo UOL. Nunes Marques foi indicado para o Supremo pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, agora preso.
De acordo com a reportagem, ACM Neto é investigado sob suspeita de ter participado da indicação de Bruno Barral para a Secretaria de Educação de Belo Horizonte. A hipótese apurada pela PF é que a nomeação serviria para favorecer empresários em licitações públicas, com posterior pagamento de propina.
Barral já havia comandado a Secretaria Municipal de Educação de Salvador durante a gestão de ACM Neto. Em abril de 2025, quando ocupava a mesma pasta em Belo Horizonte, foi afastado por decisão do STF durante a terceira fase da Overclean. Na ocasião, a investigação apontou que a indicação dele para o cargo teria sido articulada pelo empresário Marcos Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, para atender ao direcionamento de contratos ao grupo de empresários investigado.
A informação contrasta com uma declaração feita por ACM Neto apenas dois dias antes. Em entrevista à TV Bahia, na terça-feira (15), ele afirmou que não era investigado na Overclean e declarou que “não há qualquer tipo de investigação contra mim”. A reportagem publicada agora pelo UOL afirma que a PF investiga o candidato e chegou a pedir uma busca e apreensão contra ele.
A décima fase da Operação Overclean foi deflagrada nesta quinta-feira para apurar suspeitas de direcionamento de contratos da área de educação em Belo Horizonte. A PF cumpre 24 mandados de busca e apreensão em Minas Gerais, Bahia, São Paulo, Tocantins, Paraná e Espírito Santo. Pelo menos três contratos firmados entre 2024 e 2025 somam mais de R$ 80 milhões.
Entre os alvos estão Marcos Moura, os empresários Fábio e Alex Parente e o ex-secretário Bruno Barral. Segundo a Polícia Federal, os fatos investigados podem configurar crimes contra a administração pública, fraude em licitações e contratos, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
A Overclean foi aberta para investigar suspeitas de fraudes em licitações, corrupção e desvio de recursos públicos. Em fases anteriores, a PF estimou que a organização investigada movimentou cerca de R$ 1,4 bilhão em contratos fraudulentos e obras superfaturadas. Segundo a reportagem, ACM Neto continua sob investigação.
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