
Montanhas de lixo, entulho de obra, móveis quebrados e colchões jogados nas calçadas marcaram o percurso da caminhada que abriu, neste domingo (16), a campanha da aliança liderada pela Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, e integrada ainda por MDB, PSD, PSB, Avante e PDT. O ato lançou nas ruas as candidaturas de Jerônimo Rodrigues à reeleição para governador, Geraldo Júnior para vice-governador e Rui Costa e Jaques Wagner às duas vagas da Bahia no Senado. Na Cidade Baixa, a largada da campanha encontrou o retrato de uma capital abandonada por 13 anos de gestão do grupo de ACM Neto (União Brasil).
A concentração ocorreu na Basílica do Senhor do Bonfim. De lá, candidatos, militantes e moradores seguiram pelas ruas da região em direção ao Caminho de Areia, acompanhando o carro de som e carregando bandeiras e material de campanha. A escolha deu ao primeiro ato oficial da chapa um forte significado político. O que a caminhada revelou pelo caminho, porém, deu ao ato um segundo sentido, que a Prefeitura não previu.
Ao longo do trajeto, os participantes encontraram sacos de lixo doméstico misturados a restos de construção, tijolos, pedaços de concreto, garrafas, caixas, madeiras e placas de móveis. Em outros pontos, colchões velhos e objetos descartados ocupavam calçadas e canteiros, forçando pedestres a disputar espaço com o descarte irregular. É a rotina de quem mora ali, não uma exceção de domingo.
As imagens registradas durante a caminhada mostram que os resíduos já estavam acumulados antes da chegada dos candidatos. Não eram resultado da mobilização eleitoral. O volume do material, a presença de entulho pesado e o estado dos móveis indicam um problema antigo, incorporado à paisagem do caminho percorrido diariamente pelos moradores.
A largada colocou a campanha diante da Salvador que não aparece nos cartões-postais nem nas peças publicitárias da administração municipal. Enquanto a cidade oficial é vendida como vitrine de eficiência, os bairros populares convivem com lixo, entulho, calçadas obstruídas e pontos de descarte que a Prefeitura conhece e não resolve. A propaganda paga com dinheiro público não chega às esquinas do Bonfim.
O flagrante deste domingo se soma às reclamações acumuladas desde que o grupo de ACM Neto assumiu a Prefeitura, em 2013, e permaneceu no poder com Bruno Reis. Doze anos depois, a limpeza urbana continua sendo tratada como cenário de vitrine, e não como serviço básico devido a quem paga imposto e vive fora do circuito turístico.
*Foto: Divulgação*
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