
A falta de medicação para crises de epilepsia na rede municipal de Salvador foi denunciada pela vereadora Aladilce Souza (PCdoB), que recentemente acusou também o desabastecimento de remédios para pacientes de saúde mental. Mais grave ainda, segundo ela, é a situação dos alunos da rede municipal, "entregues à própria sorte pela ausência de profissionais capacitados para identificar e agir nas diferentes formas de crises epilépticas".
A falta de sensibilidade da gestão para encarar o atendimento a pacientes e alunos que necessitam de atenção especial, segundo ela, extrapola o aceitável. Aladilce anunciou que convocará, logo após o recesso da Câmara, audiência pública para discutir o que chamou de descaso com a população mais vulnerável.
"Não é possível tanta negligência com quem mais precisa. As crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) estão esperando há anos a conclusão da Escola do Curralinho, onde já foi gasto mais de R$12,5 milhões. Os pacientes de saúde mental estão sem diversas medicações para contenção de crises, o que garante o tratamento antimanicomial. Alunos com diversos tipos de deficiências, aparentes ou ocultas, não dispõem do amparo de auxiliares de desenvolvimento infantil (ADIs) nas escolas. Ou seja, é um descaso total justamente com a parcela mais vulnerável da população", declarou.
*ABPEFA pede socorro*
A vereadora foi provocada pela Associação Baiana de Pessoas com Epilepsia, Familiares e Amigos
(ABPEFA), solicitando providências e apresentação de propostas em defesa
das pessoas com epilepsia e demais condições neurológicas em
Salvador. Segundo a presidente da entidade, Alessandra Nascimento, é persistente a falta de medicamentos anticrise na rede municipal, "especialmente das formulações em xarope destinadas ao tratamento infantil". A descontinuidade no fornecimento desses
medicamentos coloca crianças em risco de agravamento das crises epilépticas,
internações evitáveis e prejuízos ao desenvolvimento neuropsicomotor.
A Associação tem recebido diversas denúncias de
famílias sobre o despreparo das unidades escolares para acolher estudantes com epilepsia. "A dificuldade em identificar diferentes tipos de
crises epilépticas, principalmente as crises de ausência, frequentemente
confundidas com desatenção ou desinteresse do aluno. Como consequência,
crianças deixam de receber o suporte necessário, são injustamente avaliadas e perdem importantes oportunidades de aprendizagem", denuncia. Também são frequentes, segundo a ABPEFA, os relatos de escolas que não sabem como agir durante uma crise epiléptica, "expondo estudantes a situações de risco por falta de protocolos de atendimento e de profissionais capacitados".
No ensino privado, a entidade relata que pais denunciam a ausência de planos de acolhimento e, em casos mais delicados, a recusa de matrícula de estudantes com epilepsia e outras
condições neurológicas, prática que viola o direito à educação inclusiva. "Quando a matrícula é aceita, algumas instituições impõem cobranças adicionais, inclusive com aumento significativo da mensalidade sob a justificativa da
necessidade de um ADI ou outro profissional de apoio, transferindo às famílias um custo que compromete o
acesso à educação", ressalta Alessandra em ofício à vereadora Aladilce.
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