
Um novo levantamento global conduzido pela Ipsos, em parceria com o Instituto Global de Liderança Feminina da King's Business School, acendeu um alerta vermelho sobre a igualdade de gênero. Contrariando a expectativa de que as gerações mais novas seriam as mais progressistas da história, o estudo aponta que 31% dos homens da Geração Z (nascidos entre 1997 e 2012) acreditam que a esposa deve ser submissa ao marido.
A pesquisa, que ouviu 23 mil pessoas em 29 países — incluindo o Brasil —, revela uma fenda ideológica crescente entre jovens homens e mulheres. Enquanto elas buscam autonomia, uma parcela significativa deles parece desejar o retorno a estruturas familiares do século passado.
Os números do "Backlash" Masculino
Os dados mostram que o comportamento não é isolado, mas sim um conjunto de crenças sobre poder e masculinidade:
• Poder de veto: 33% dos jovens entrevistados afirmam que o homem deve ter a "palavra final" em decisões importantes do casal.
• Independência sob ataque: 24% dos homens Gen Z acreditam que mulheres não devem parecer "muito independentes".
• A "ameaça" da igualdade: 57% dos rapazes dessa geração sentem que a luta por direitos iguais foi "longe demais" e agora discrimina o público masculino.
O choque com os Baby Boomers
O ponto mais surpreendente da pesquisa é a comparação com os Baby Boomers (nascidos entre 1946 e 1964). Em alguns quesitos, os jovens são mais conservadores que seus avós. Por exemplo, 21% dos homens da Geração Z consideram que um pai que se dedica ativamente à criação dos filhos é "menos masculino", uma visão que encontra menos eco entre as gerações mais velhas, que já normalizaram a paternidade ativa.
"Estamos observando um fenômeno de reatividade. Onde as mulheres avançam na ocupação de espaços, parte dos homens jovens interpreta isso como uma perda de território, buscando refúgio em conceitos rígidos de masculinidade", explicam especialistas em sociologia ouvidos pela King's Business School.
O Abismo de Gênero
Se entre os homens o conservadorismo cresce, entre as mulheres o movimento é oposto. A pesquisa destaca que a grande maioria das entrevistadas discorda veementemente das pautas de submissão. Essa desconexão pode explicar o aumento de tensões em relacionamentos modernos e a dificuldade de diálogo sobre papéis sociais na atualidade.
Enquanto o mundo caminha para 2030 com metas de desenvolvimento sustentável que incluem a igualdade de gênero, os dados da Ipsos sugerem que o caminho será muito mais acidentado do que o previsto, enfrentando uma resistência inesperada vinda justamente de quem herdará o futuro.
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