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Cultura, Memória e Ancestralidade: Perspectivas para a Construção de uma Sociedade Antirracista

Texto por Josenice Almeida - Bacharela em Direito, Consultora Cultural e Mametu Lubitu Nkisi N'zazi

08/12/2025 às 09h04 Atualizada em 08/12/2025 às 09h12
Por: Redação
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Cultura, Memória e Ancestralidade: Perspectivas para a Construção de uma Sociedade Antirracista

 

 

Artigo: As discussões sobre racismo e identidade no Brasil obrigatoriamente atravessam as noções de cultura, memória e ancestralidade. Esses elementos estruturam modos de vida, práticas espirituais, símbolos, afetos e redes comunitárias que sustentam a trajetória dos povos negros no país. Entretanto, por séculos, a produção cultural e intelectual afro-brasileira foi apagada ou marginalizada pelas estruturas coloniais.

Obras literárias e ensaísticas como Um defeito de cor (GONÇALVES, 2006), Como ser um educador antirracista (CARINE, 2023) e Na minha pele (RAMOS, 2017) desempenham papel essencial na reconstrução dessa narrativa, oferecendo perspectivas históricas, pedagógicas e autobiográficas que evidenciam a centralidade da ancestralidade na experiência negra no Brasil.

A cultura afro-brasileira se desenvolveu historicamente como espaço de resistência às violações impostas pelo colonialismo. Tradições religiosas, rituais, cantos, danças, artesanatos e formas de organização social mantiveram vivas cosmologias africanas que atravessaram o Atlântico.
Em Um defeito de cor, a protagonista Kehinde vivencia tanto a violência do tráfico atlântico quanto a força das tradições africanas. A autora demonstra que a cultura, especialmente expressa nos laços comunitários e religiosos, atua como força vital que estrutura a identidade e a sobrevivência da personagem.

A memória, quando associada às narrativas negras, torna-se instrumento político para reinscrever sujeitos historicamente silenciados. Em Na minha pele, Lázaro Ramos (2017) reconstrói sua trajetória pessoal articulando experiências íntimas e formas estruturais de racismo que atravessam o cotidiano de pessoas negras no Brasil.
A ancestralidade como fundamento da educação antirracista é apresentada por Bárbara Carine (2023) como princípio epistemológico que rompe com a pedagogia colonial. Em Como ser um educador antirracista, a autora defende que práticas educacionais comprometidas com a justiça racial devem reconhecer a centralidade dos saberes afro-brasileiros.

As contribuições de Gonçalves (2006), Ramos (2017) e Carine (2023) convergem ao evidenciar que cultura, memória e ancestralidade são dimensões inseparáveis da experiência negra.
A análise das obras demonstra que cultura, memória e ancestralidade constituem pilares fundamentais para compreender a identidade negra no Brasil e promovendo ações antirracistas, sob a ótica da cultura, memória e ancestralidade.

Referências Bibliográficas:
CARINE, Bárbara. Como ser um educador antirracista. São Paulo: Jandaíra, 2023.
GONÇALVES, Ana Maria. Um defeito de cor. Rio de Janeiro: Record, 2006.
RAMOS, Lázaro. Na minha pele. Rio de Janeiro: Objetiva, 2017.

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