Alberto Fernández derrota Macri e vence em primeiro turno na Argentina

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BUENOS AIRES —  Apesar de a Casa Rosada ter organizado uma nova e vigorosa campanha eleitoral após o revés sofrido nas eleições primárias de agosto, o presidente Mauricio Macri não conseguiu impedir a vitória de seu principal rival nas eleições deste domingo, o candidato da aliança entre peronistas e kirchneristas Alberto Fernández .

Não foi um triunfo esmagador, como esperava a aliança Frente de Todos, mas Fernández e sua companheira de chapa, a senadora e ex-presidente Cristina Kirchner (2007-2015), conquistaram, com 96,66% das mesas de votação apuradas, 47,97% dos votos, contra 40,51% do atual chefe de Estado. O ex-ministro da Economia, Roberto Lavagna, ficou em terceiro lugar, com 6,17%. Para vencer a eleição no primeiro turno na Argentina é necessário alcançar 45% dos votos ou 40% com pelo menos dez pontos de vantagem em relação ao segundo colocado.

Com o resultado, a centro-esquerda peronista volta ao poder na Argentina, quatro anos depois da vitória de Macri sobre Cristina, que legou ao sucessor uma crise econômica que se agravou sob o atual presidente, apesar de um pacote de US$ 50 bilhões firmado por ele em 2018 com o Fundo Monetário Internacional.

 

Pouco depois das 22h, Macri reconheceu a derrota em discurso e disse que convidou o opositor para uma conversa sobre a situação do país nesta segunda-feira:

— Parabenizo o presidente eleito Alberto Fernández. Acabei de falar com ele pela grande eleição que fez. O convidei para tomar amanhã um café da manhã na Casa Rosada porque deve começar uma transição ordenada que leve tranquilidade aos argentinos.

Em seu discurso de vitória, Fernández anunciou que aceitou o convite:

— Vamos colaborar em tudo o que possamos porque a única coisa que nos preocupa é que os argentinos deixem de sofrer de uma vez por todas  —  disse.

Fernández fez um agradecimento especial ao falecido presidente Néstor Kirchner (2003-2007), de quem foi chefe de Gabinete:

— Obrigada, Néstor, onde você estiver, você semeou o que estamos vivendo.

 

 

 

O Globo