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Caetano entrega carta ao Papa com ‘pedido de socorro’ e fala sobre violência na Bahia

Caetano entrega carta ao Papa com ‘pedido de socorro’ e fala sobre violência na Bahia

28/09/2023 às 18h59 Atualizada em 28/09/2023 às 21h59
Por: Redação
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Foto: Reprodução
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Papa Francisco, líder da Igreja Católica em todo o mundo, recebeu uma carta com um apelo do cantor e compositor baiano Caetano Veloso. No documento, o artista faz um “pedido de socorro” e narra a situação da insegurança no Brasil, sobretudo na Bahia. Caetano, de 81 anos, encontrou com o religioso, nesta quinta-feira (28), no Vaticano. No documento, datado de 28 de setembro de 2023, Caetano afirmou que “a violência também tomou conta da Bahia”. “Estou assustado ao constatar que – apenas nestes primeiros 24 dias de setembro, já foram registradas pelo menos 46 mortes em confrontos policiais em todo o estado. A proporção é de quase duas mortes por dia neste mês”, escreveu. Caetano destacou que as mortes que aconteceram principalmente em bairros periféricos de Salvador, e mencionou as localidades de Alto das Pombas, Calabar, Valéria e Águas Claras. “Diante dessa situação de agravamento da violência no Brasil peço que Vossa Santidade volte o seu olhar e suas orações para o nosso país. Tenho certeza de que sua mensagem de paz será ouvida no país que tem como padroeira Nossa Senhora Aparecida”, pediu o artista. No texto, ele se apresentou como baiano de Santo Amaro da Purificação, no recôncavo, e filho de Dona Canô, que “lutava em defesa da despoluição do Rio Subaé e fazia campanhas pela restauração da igreja de Nossa Senhora da Purificação, da qual sempre foi ardorosa devota”. Ela morreu em dezembro de 2012, aos 105 anos de idade. Confira a carta na íntegra: “Vaticano, 28 de setembro de 2023 Vossa Santidade, Papa Francisco, É com alegria especial que chego aqui, na Santa Sé, para este encontro. Sou da cidade de Santo Amaro da Purificação. E desde menino acompanhava encantado a minha mãe, Dona Canô, com seus gestos de simplicidade, afeto e sabedoria. Ela lutava em defesa da despoluição do Rio Subaé e fazia campanhas pela restauração da igreja de Nossa Senhora da Purificação, da qual sempre foi ardorosa devota. Em 2007, na festa do centenário dela, a família, amigos e a cidade de Santo Amaro promoveram durante o ano uma série de homenagens à dona Canô. E o que nela provocou maior emoção foi a Igreja da Purificação receber a imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida. É com esses ensinamentos de paz que chego aqui, diante de Vossa Santidade. Nesses 10 anos de pontificado do primeiro Papa da América Latina, jesuíta e de nome Francisco, tenho acompanhado suas posições denunciando injustiças, alertando para a situação dos migrantes e sendo o autor da primeira encíclica ambiental: Laudato si – Sobre o cuidado da casa comum. O texto é uma advertência necessária sobre as responsabilidades humanas nas alterações climáticas. Santo Padre, onde moro, na cidade do Rio de Janeiro, a violência atingiu índices iguais aos das grandes guerras pelo mundo. E o pior: vitimando cada vez mais crianças. A lista de meninos e meninas mortos por armas de fogo na Região Metropolitana do Rio assombra. Só este ano, 10 crianças morreram dessa forma. Recentemente, entrou nesta estatística a menina Eloah da Silva dos Santos, de 5 anos, atingida por um tiro quando estava em casa, no Morro do Dendê, comunidade da Ilha do Governador, Zona Norte do Rio. As vítimas têm em comum o fato de terem tido uma morte repentina enquanto viviam seus cotidianos. Com idades entre 9 e 13 anos. A chamada “guerra às drogas” até hoje não reduziu o comércio ou o uso delas. Mas o número de jovens, em sua maioria negros, mortos a bala não para de crescer. Esse destino trágico também vitimou: Juan Davi de Souza Faria, 11 anos; Rafaelly da Rocha Vieira, 10 anos; Maria Eduarda Carvalho Martins, 9 anos; Ester de Assis Oliveira, 9 anos; Jhenyfer Luz Silva de Souza, 12 anos; Lohan Samuel Nunes Dutra, 11 anos; Yan Gabriel Marques, 12 anos; Dijalma de Azevedo, 11 anos; Thiago Menezes Flausino, 13 anos. A violência também tomou conta da Bahia, estado em que nasci há 81 anos. Estou assustado ao constatar que – apenas nestes primeiros 24 dias de setembro – já foram registradas pelo menos 46 mortes em confrontos policiais em todo o estado. A proporção é de quase duas mortes por dia neste mês. Essas mortes aconteceram principalmente em bairros periféricos de Salvador, como Alto das Pombas, Calabar, Valéria e Águas Claras. Diante dessa situação de agravamento da violência no Brasil peço que Vossa Santidade volte o seu olhar e suas orações para o nosso país. Tenho certeza de que sua mensagem de paz será ouvida no país que tem como padroeira Nossa Senhora Aparecida.
Com profunda admiração, meu abraço fraterno e meu pedido de socorro.
Caetano Veloso”   bahia.ba  
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