
Se aprovado pelas agências reguladoras, um medicamento pode se tornar a primeira alternativa para o tratamento do tabagismo em quase duas décadas. A expectativa é alta depois que a citisiniclina, também conhecida como cistina, demonstrou ser eficaz, segura e bem tolerada entre aqueles que buscam deixar o cigarro, levando um terço dos voluntários nos estudos a abandonarem o hábito. Os resultados são da terceira e última etapa dos testes clínicos, publicados na revista científica JAMA.
A citisiniclina é um fármaco à base de plantas que se liga aos receptores de nicotina no cérebro, de modo a aliviar o desejo pela substância e, consequentemente, de fumar. Além disso, reduz a gravidade dos sintomas associados à abstinência. É um mecanismo semelhante à vareniclina, aprovada nos EUA e no Brasil.
Os voluntários foram divididos em três grupos com cerca de 270 pessoas cada. O primeiro recebeu 3 mg do medicamento, três vezes ao dia, durante 12 semanas. Para o segundo, foi administrada uma dose igual, porém durante 6 semanas. Nas demais, o remédio foi substituído por um placebo. Já o terceiro grupo recebeu apenas placebo no decorrer de todas as 12 semanas.
Para os participantes que receberam a citisiniclina por 6 semanas, 25,3% estavam em abstinência entre a 3º e a 6º, contra 4,4% no grupo placebo naquele período. Os voluntários também relataram uma queda rápida e consistente do desejo pelo cigarro durante o primeiro semestre do tratamento.
O remédio também foi considerado seguro e bem tolerado, causando apenas poucos efeitos colaterais como náusea e insônia em menos de 10% de cada grupo – um ponto positivo, já que um dos problemas com as terapias atuais são os fortes efeitos.
A farmacêutica, especializada em tratamentos para o tabagismo, pretende submeter os dados do medicamento para aprovação de uso pela FDA na primeira metade de 2024. Não há ainda estimativa para a solicitação de aval em outros países.
O medicamento, no entanto, já é utilizado amplamente em diversos países da Europa, ainda que esse seja o primeiro grande estudo clínico que de fato comprova a sua eficácia. Por se tratar de um fármaco feito à base de plantas, um fitoterápico, o critério para liberação no continente europeu não é tão rígido como para outros remédios.
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