
O secretário nacional de Comunicação do PT, Éden Valadares, usou as redes sociais neste domingo (9) para comentar a participação do governador Jerônimo Rodrigues (PT) no debate da Band. Ao lado da disputa política e das propostas apresentadas pelo candidato à reeleição, Éden destacou sobretudo o peso simbólico que atribuiu ao confronto com ACM Neto (União Brasil), relacionando a trajetória do governador à história de uma parcela da população baiana que durante muito tempo esteve distante dos espaços de poder.
“Eu estava ali diante da televisão e confesso que o coração apertou, não por medo, por orgulho”, escreveu. No relato, Éden definiu Jerônimo como “um filho do chão batido” e afirmou ter visto no governador a segurança de quem conhece a própria origem e não se deixou intimidar pelo adversário. “Olhou para ACM Neto e devolveu cada pedra com a firmeza de quem construiu a própria vida na base do braço e da dignidade.”
A diferença entre as trajetórias dos dois candidatos ocupa boa parte da manifestação. Éden contrapôs a origem popular de Jerônimo — negro, de ascendência indígena, filho de vaqueiro e nascido no interior da Bahia — à tradição política da família de ACM Neto. Na avaliação do dirigente petista, essa distância social também apareceu no comportamento dos dois durante o debate e deu ao confronto um significado que ultrapassou a troca de acusações própria de uma campanha eleitoral.
Foi nesse contexto que escreveu uma das passagens mais fortes do texto: “Foi a luta de classes nua e crua, bailando na frente das câmeras. Foi o vaqueiro contra o coronel”. Éden atribuiu a Neto uma postura de arrogância e desdém e disse ter visto em Jerônimo a resposta de quem chegou ao governo por um percurso inteiramente diferente daquele construído por famílias tradicionalmente ligadas ao poder baiano.
O depoimento ganha outro tom quando ele deixa de falar diretamente dos candidatos e passa a mencionar quem acompanhava o debate. “Eu vi nossos pais, nossas avós, nossos irmãos e irmãs, vi todos os que vieram antes de nós e que nunca tiveram voz”, escreveu. Para Éden, havia na postura do governador uma identificação com trabalhadores, negros, indígenas e moradores do interior que reconhecem na trajetória de Jerônimo experiências mais próximas das próprias vidas.
Essa leitura não substituiu, no relato, a disputa política colocada na televisão. Jerônimo defendia a continuidade do governo e apresentava propostas para um novo mandato; ACM Neto buscava retornar ao centro da política estadual depois da derrota de 2022. Éden, porém, chamou atenção para algo que, segundo ele, não aparece integralmente nas avaliações de desempenho: “O que Jerônimo fez ontem não cabe em gráfico, cabe no peito, cabe na memória de quem sempre foi pisado e viu um dos seus na linha de frente”.
Já no fim da publicação, o secretário nacional de Comunicação do PT voltou ao contraste entre as duas biografias. “Neto pode ter a herança, o sobrenome e os aliados com outros tantos sobrenomes. Mas Jerônimo tem a nossa carne, o nosso suor”, afirmou. E encerrou o relato no mesmo registro pessoal com que havia começado: “Ontem meu coração bateu mais forte, bateu baiano, bateu vingado, bateu livre”.
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