

O sonho de aprender a ler e a escrever se tornou realidade para 50 alunos adultos e idosos de Alagoinhas. A cerimônia de formatura dos novos alfabetizados foi realizada na noite da última terça-feira, 4, no auditório do Colégio Estadual São Francisco, reunindo representantes da Prefeitura de Alagoinhas, familiares, educadores e instituições ligadas ao bem-estar social. A conclusão da participação no Programa Brasil Alfabetizado (PBA) foi marcada por momentos de emoção e celebração, simbolizando uma nova oportunidade de aprendizado, autonomia e inclusão para os participantes.
Os formandos pertencem a quatro turmas implantadas em diferentes comunidades do município, graças à parceria entre o Governo Federal e a Prefeitura de Alagoinhas, por meio da Secretaria Municipal da Educação (Seduc). O programa integra o Pacto Nacional pela Superação do Analfabetismo e Qualificação da Educação de Jovens e Adultos e tem como objetivo garantir o acesso à alfabetização de cidadãos que não tiveram a oportunidade de estudar na idade adequada.
Entre as histórias que emocionaram o público presente no evento, um destaque especial vai para Marta Valdelice Pereira, de 71 anos. Ela contou que começou a trabalhar ainda na infância e, por isso, não frequentou a escola. “Agora eu já leio, já escrevo, leio livros. É uma virada de chave na minha vida”, afirmou.
Outro depoimento marcante foi o de Maria Alaíde dos Santos, de 62 anos. Ela relembrou o receio que sentia ao iniciar os estudos, mas disse que o aprendizado trouxe uma nova perspectiva de vida. “Hoje minha mente está outra. Sou muito grata a Deus e a esse projeto, que foi até o nosso bairro para ajudar pessoas como eu. Espero que ele continue e alcance ainda mais comunidades”, declarou.
Para a formanda Maria José da Silva, de 63 anos, a expectativa é que outras pessoas também participem e modifiquem suas relações com a palavra. “Aprendi a ler, escrever e somar. Gostaria que esse projeto não parasse, porque ainda tem muita gente precisando dessa oportunidade”, pontuou.
Já Jocileide Barbosa Andrade, de 54 anos, relembrou que, por não concluir o ensino médio e se dedicar à família, acabou deixando os estudos de lado. “Através desse projeto, retomei coisas que eu tinha esquecido. Quando voltei, relembrei as letrinhas, aprendi outras. Eu já me emocionei muito na noite desta formatura. Agradeço ao pessoal da Prefeitura, ao povo do Brasil Alfabetizado e à minha professora Jaciara. Hoje consigo ir para qualquer lugar, tudo muda”.
Uma das professoras responsáveis pela formação, Jaciara Alves dos Santos, da turma do bairro Novo Horizonte, contou que foi selecionada pela Seduc para atuar no programa e decidiu transformar a garagem de sua casa em sala de aula. Ali, reuniu 15 mulheres da comunidade e acompanhou de perto a evolução de cada uma delas. “Algumas não sabiam nem assinar o próprio nome. Hoje já trocaram os documentos e passaram a assinar em vez de colocar a digital. Isso é muito gratificante. Sempre dizia para elas que nunca é tarde para aprender e que, enquanto há vida, há esperança”, destacou.
Representando o prefeito Gustavo Carmo, Dilza Batista transmitiu a mensagem de congratulações do gestor e compartilhou sua própria trajetória na Educação de Jovens e Adultos (EJA). Ela contou que voltou a estudar depois de casada e, anos mais tarde, realizou o sonho de ingressar no ensino superior. “Não parem de estudar. Eu fiz EJA, e foi esse caminho que me levou à faculdade. O saber acompanha a gente por toda a vida”, incentivou.
A secretária municipal da Educação, Rita Bastos, ressaltou que a cerimônia simbolizou muito mais do que a entrega de certificados. “Hoje é um dia de celebração. Aprender a ler e escrever é fundamental, especialmente nos dias atuais. Esse é apenas o começo. Queremos que vocês continuem estudando, e a Secretaria Municipal da Educação estará de portas abertas para dar continuidade a essa trajetória”.
A gerente da Educação de Jovens e Adultos da rede municipal, Rita Rezende, enfatizou que esta foi a primeira edição do Programa Brasil Alfabetizado após dez anos sem a oferta da iniciativa em parceria entre o Governo Federal e os municípios. Segundo ela, as quatro turmas foram implantadas em comunidades rurais e bairros periféricos, ampliando o acesso à alfabetização para quem mais precisava. “Agora eles podem ingressar na Educação de Jovens e Adultos (EJA), tanto no Ensino Fundamental I quanto no Ensino Fundamental II. A alfabetização é o início de um caminho que pode seguir por toda a vida”, explicou.
Também presente à solenidade, a diretora de Ensino e Apoio da Secretaria Municipal da Educação, Queila Oliveira, lembrou que garantir a alfabetização de jovens, adultos e idosos representa uma forma de reparar um direito que lhes foi negado durante a infância. “Tenho a oportunidade, a honra e a felicidade de poder trabalhar todos os dias pelos estudantes, para garantir que todas as meninas e meninos sejam alfabetizados na idade certa e, também, para reparar o direito negado àqueles que não tiveram a oportunidade de serem alfabetizados”, concluiu.

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