
Uma perícia técnica divulgada pela coluna da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, apontou indícios de uso de inteligência artificial no plano de governo apresentado por ACM Neto (União Brasil) durante a disputa pelo Governo da Bahia. Segundo a análise, o documento apresentou um índice de 56,7%, após a avaliação das 214 páginas que compõem o material.
O estudo foi elaborado pela especialista em propriedade intelectual Caroline Nunes, que analisou 50 blocos do plano de governo. De acordo com o relatório, 12 desses trechos registraram índices superiores a 80%, especialmente nos capítulos voltados para segurança pública, desenvolvimento econômico, educação, turismo, cultura, economia criativa e transformação digital.
A perícia também identificou repetição de estruturas argumentativas e o uso frequente de termos como “governança”, “monitoramento”, “território”, “integrado” e “em tempo real”, elementos que, segundo a análise, podem indicar o uso de ferramentas de inteligência artificial na elaboração ou revisão do documento.
Apesar dos resultados, o próprio parecer destaca que a metodologia empregada não comprova a autoria do texto nem permite concluir que todo o plano tenha sido produzido por inteligência artificial. O relatório ressalta ainda a existência de características compatíveis com elaboração humana, como referências legislativas verificadas, organização consistente das propostas e indícios de edição manual, além de reconhecer as limitações dos detectores de texto gerado por IA.
Procurada pela Folha de S.Paulo, a assessoria de ACM Neto confirmou que utilizou inteligência artificial, mas afirmou que a tecnologia foi empregada apenas para revisão, correção ortográfica e checagem do texto. Em nota, a equipe do pré-candidato declarou que todas as propostas e ideias de gestão foram elaboradas sem o uso de IA e ressaltou que o relatório não apresenta prova conclusiva sobre a autoria do documento.
A divulgação da perícia repercutiu no cenário político baiano e reacendeu o debate sobre o uso de ferramentas de inteligência artificial na elaboração de documentos públicos e materiais de campanha.
Fonte: Folha de S.Paulo (coluna de Mônica Bergamo) e BNews.
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