
O sol mal tinha raiado e iluminado os caboclos e refletido o azul, o vermelho e o branco da bandeira da Bahia quando centenas de pessoas já ocupavam e coloriam o Largo da Lapinha, em Salvador, para celebrar mais um Dois de Julho. Neste ano, a data marca os 203 anos da Independência do Brasil na Bahia e ganha um significado ainda mais especial: pela primeira vez, Salvador se torna, simbolicamente, a capital do Brasil por um dia.
As celebrações tiveram início com o tradicional hasteamento das bandeiras no Largo da Lapinha, ao som do Hino Nacional executado pela Banda de Música da Marinha do Brasil. A cerimônia reuniu autoridades civis e militares e contou com a participação do governador Jerônimo Rodrigues, marcando a abertura oficial dos festejos e o início do cortejo cívico. “Caminhamos com a fé de que manteremos viva a chama acessa do povo na luta pela libertação, soberania e democracia do Estado brasileiro”, afirmou o governador.
Mais que um feriado, o Dois de Julho celebra a vitória das forças baianas sobre as tropas portuguesas em 1823, consolidando a Independência do Brasil. A data simboliza a coragem, a resistência e o protagonismo do povo baiano na construção da história do país, preservando uma memória que atravessa gerações.
"O Dois de Julho é a data máxima da Bahia. É a celebração da democracia, da liberdade e da Independência do Brasil conquistada aqui. Esse reconhecimento fortalece a nossa memória e faz com que as novas gerações se reconheçam nessa luta pela independência", afirmou o secretário de Cultura, Bruno Monteiro.
Celebração popular
Vestidos com as cores da Bahia e do Brasil, muitos fizeram questão de registrar o momento e compartilhar com crianças e jovens uma tradição que mantém viva a história do estado. Entre os participantes, o historiador Antônio Carlos Santos destaca o significado histórico e simbólico da data para a Bahia e para o país. "Para mim, é uma data sagrada. Foi aqui que tudo começou, onde o Brasil se tornou independente. É um orgulho estar aqui todos os anos comemorando", afirmou.
O aposentado Manuel de Abreu, morador da região, acompanhou o cortejo ao lado do filho, mantendo uma tradição iniciada ainda na infância, quando era levado pela mãe para assistir às celebrações. "Todo ano eu trago meu filho para mostrar a conquista do nosso estado e do nosso país. É importante passar essa história para as futuras gerações", afirmou.
Já Giovana Gibaut, estudante de 19 anos, participa pela primeira vez do Cortejo do Dois de Julho, vestida de cabocla, ao lado da prima, trajada de Catarina Paraguaçu, dando continuidade a uma tradição familiar de mais de três décadas de homenagear a data representando personagens simbólicas da Independência da Bahia. "É uma tradição de família que já dura 33 anos. Este ano, eu e minha prima também estamos representando essa homenagem no Dois de Julho", afirmou.
Há também quem veio de longe e se encantou com a celebração. Como foi o caso do aposentado Anselmo Berça, de Brasília. "É uma festa maravilhosa. Sempre que venho à Bahia me surpreendo. O povo é alegre e faz uma comemoração muito bonita. Eu não conhecia essa tradição e foi uma surpresa muito agradável", afirmou.
Segurança reforçada para o cortejo
Para garantir a tranquilidade do público durante toda a programação, o Governo do Estado montou uma operação especial envolvendo as forças de segurança ao longo de todo o percurso do desfile. O esquema conta com 1.321 profissionais, 69 viaturas e investimento de R$ 510.660,74, com ações de policiamento ostensivo, monitoramento e apoio aos participantes.
Além do reforço no efetivo, a operação conta com cerca de 400 câmeras de videomonitoramento, drones, aeronaves, policiais infiltrados e uma central integrada que reúne 26 órgãos para acompanhar o evento em tempo real.
"São cerca de 1.300 policiais e bombeiros destacados para garantir a segurança da população baiana e dos turistas. Temos cerca de 400 câmeras ao longo de todo o percurso, além de drones, aeronaves e policiais infiltrados para atender qualquer ocorrência da forma mais rápida e eficiente possível", afirmou o secretário da Segurança Pública, Marcelo Werner.
Fanfarras escolares reforçam tradição do desfile
Outro destaque da celebração é a participação de 2.941 estudantes da rede estadual, integrantes de fanfarras e bandas marciais de 30 colégios de Salvador e da Região Metropolitana e 57 unidades do interior. As apresentações são apoiadas pela Secretaria da Educação do Estado (SEC), por meio do Projeto Fanfarras Escolares.
Mais do que integrar o cortejo, as fanfarras representam uma ferramenta de formação artística e cidadã, estimulando disciplina, protagonismo estudantil, trabalho em equipe e valorização da cultura baiana. Os grupos se apresentam ao longo do desfile, divididos entre os turnos matutino e vespertino.
O que é o Dois de Julho
Embora o grito da Independência tenha sido proclamado em 7 de setembro de 1822, foi somente em 2 de julho de 1823 que as tropas portuguesas foram definitivamente expulsas da Bahia. A vitória consolidou a Independência do Brasil e transformou a data em um dos maiores símbolos da identidade, da memória e da resistência do povo baiano.
Repórter: Leo Moreira/GOVBA
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