
Enquanto milhões de trabalhadores defendem jornadas mais humanas e a adoção da escala 5x2, setores da direita e da extrema-direita no Congresso articulam uma reação. A PEC 12/2026, assinada por 40 senadores, entre eles Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Ângelo Coronel (PSD-BA), propõe um modelo de trabalho flexível baseado na negociação entre patrão e empregado e no pagamento proporcional às horas trabalhadas.
Na prática, críticos da proposta enxergam uma tentativa de enfraquecer direitos trabalhistas e impedir o avanço das mudanças aprovadas na Câmara dos Deputados em favor da redução da jornada de trabalho. O argumento é simples: numa relação marcada pela desigualdade de poder, a chamada “livre negociação” tende a favorecer quem contrata, não quem depende do salário para sobreviver.
A proposta surge justamente no momento em que cresce a pressão popular pelo fim da escala 6x1, considerada por muitos trabalhadores uma das jornadas mais desgastantes do país. Em vez de discutir mais descanso, qualidade de vida e valorização da mão de obra, a PEC abre caminho para ampliar a flexibilização das relações trabalhistas.
Para entidades sindicais e movimentos sociais, o texto representa mais um capítulo da disputa entre dois projetos de país: de um lado, quem defende a ampliação da proteção ao trabalhador; de outro, quem aposta na redução das garantias trabalhistas sob o argumento da modernização econômica.
Agora, caberá ao Senado decidir se seguirá o caminho apontado pela maioria dos trabalhadores brasileiros, que defendem jornadas mais equilibradas, ou se dará prioridade a uma proposta vista por seus críticos como um retrocesso nas conquistas históricas da classe trabalhadora.
Mín. 22° Máx. 25°





