18°C 29°C
Candeias, BA
Publicidade

Entre o Consolo e o Alerta: Bebês Reborn e os Limites da Saúde Mental

Entre o Consolo e o Alerta: Bebês Reborn e os Limites da Saúde Mental

12/05/2025 às 10h50 Atualizada em 12/05/2025 às 13h50
Por: Redação
Compartilhe:
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Em quartos meticulosamente organizados, com berços, roupinhas, fraldas e mamadeiras, mulheres adultas vivem uma rotina que se assemelha à maternidade. Mas, no lugar de um bebê de verdade, está uma boneca — realista ao ponto de enganar até os olhos mais atentos. São os chamados bebês reborn, um fenômeno que tem ganhado força nas redes sociais e gerado debates acalorados sobre os limites entre afeto simbólico e saúde mental.

Para algumas mulheres, especialmente aquelas que enfrentaram luto perinatal, infertilidade ou episódios de depressão, os reborns funcionam como uma forma de terapia. “É uma maneira de elaborar o trauma, dar forma ao sentimento e transformar a dor em cuidado”, afirma a psicóloga Renata Oliveira, especialista em saúde emocional feminina. “Quando usados com consciência e orientação, esses objetos podem ser extremamente acolhedores.”

Contudo, nem sempre o envolvimento com os reborns permanece em uma esfera saudável. Em alguns casos, o vínculo com a boneca se torna tão intenso que começa a afetar a vida funcional da pessoa — interferindo em relações sociais, profissionais ou familiares. “O problema surge quando a fantasia passa a substituir a realidade e isola o indivíduo do convívio humano”, reforça Renata.

As redes sociais têm potencializado essa relação. Vídeos com milhões de visualizações mostram “rotinas maternas” com os reborns, incluindo banhos, alimentação e passeios. Algumas criadoras de conteúdo narram partos fictícios e montam enxovais completos, atraindo outras mulheres que se sentem acolhidas por uma comunidade que entende suas dores e desejos.

Esse acolhimento, no entanto, também levanta preocupações. “É importante que o uso dos reborns venha acompanhado de reflexão e, se necessário, de acompanhamento psicológico”, diz o psiquiatra Mauro Salles. “Não é a boneca em si que é problemática, mas o papel que ela ocupa na vida daquela pessoa.”

Além do uso terapêutico, o reborn é também uma expressão artística. Criadores dessas bonecas dedicam horas à pintura e montagem para alcançar a aparência mais realista possível. O mercado movimenta valores expressivos, e algumas peças chegam a custar mais de R$ 5 mil. A arte, o afeto e o comércio se entrelaçam nesse universo delicado.

Em última análise, o fenômeno dos bebês reborn evidencia a complexidade das emoções humanas. Para alguns, eles são ferramentas de conforto. Para outros, um alerta silencioso de que algo mais profundo está em desequilíbrio. O desafio está em reconhecer a linha tênue entre cuidar e fugir, entre simbolizar e evitar.

“A pergunta que sempre deve ser feita é: essa prática me ajuda a viver melhor no mundo real ou me afasta dele?”, conclui a psicóloga.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Candeias, BA
27°
Tempo nublado

Mín. 18° Máx. 29°

29° Sensação
4.2km/h Vento
73% Umidade
0% (0mm) Chance de chuva
05h31 Nascer do sol
05h30 Pôr do sol
Dom 31° 20°
Seg 31° 20°
Ter 33° 21°
Qua 32° 20°
Qui 31° 19°
Atualizado às 17h04
Publicidade
Anúncio
Publicidade
Anúncio
Economia
Dólar
R$ 5,13 +0,10%
Euro
R$ 5,94 +0,04%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 419,493,61 -0,21%
Ibovespa
187,206,89 pts -0.56%
Publicidade
Anúncio
Publicidade
Anúncio
Publicidade
Anúncio
Publicidade
Anúncio
Lenium - Criar site de notícias