
Agressões no ambiente familiar
A desigualdade estrutural do Brasil está expressa nos números. A média diária de denúncias de abusos contra crianças e adolescentes pretos, pretas, pardos e pardas foi de 70 notificações. Já casos em que as vítimas são brancas e amarelas foram cerca de 43. As informações reafirmam também uma realidade já expressa em outros estudos e análises: a maior parte dos casos ocorre dentro de casa. O índice de violência sexual cometida no ambiente familiar chegou a 69% do total. Em 2022, mais de 12 mil casos tiveram como agressor algum familiar. "É uma violência extremamente silenciosa e o processo de identificação é muito difícil de ser feito, assim como notificar e fazer o acompanhamento. É tudo muito mais doloroso para essa criança", afirma Michelly Antunes. Cerca de 65% do total de crianças e adolescentes que sofreram abusos sexuais está na faixa etária de 5 a 14 anos. Entre os meninos, a maioria das notificações ocorre de 5 a 9 anos e entre as meninas, de 10 a 14 anos. Os números também alertam para os níveis de reincidência desses crimes. Quase 40% das vítimas que buscaram atendimento voltam com relatos de novos episódios. Duas em cada cinco registros são de vítimas que já passaram pela violência anteriormente. "Nossas crianças estão desprotegidas e precisamos trabalhar muito para garantir que o mínimo de direitos seja garantido a elas. Precisamos garantir escola, lugares protetivos, que a criança possa brincar, se alimentar, ter condições de saúde. Precisamos dar esses direitos as nossas crianças", finaliza Antunes.Memória
No Brasil, 18 de maio é o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. A data faz referência ao caso da menina Araceli Crespo, de 8 anos, que foi sequestrada, violentada e cruelmente assassinada em 18 de maio de 1973, em Vitória (ES).
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