Para sair do PSL, Bolsonaro quer congelar fundo partidário e garantia jurídica para que deputados o acompanhem

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BRASÍLIA — O presidente Jair Bolsonaro admitiu a deputados em reunião na tarde desta quarta-feira que está decidido a sair da legenda, mas que primeiro quer uma garantia jurídica para que os deputados que o acompanhem na desfiliação ao PSL não percam seus mandatos e que a Justiça possa também congelar os recursos partidários do PSL.

Na esteira de Bolsonaro, o partido conquistou 11,6 milhões, um crescimento de 1.341% de votos, que engordou o cofre do PSL dos nanicos R$ 6,2 milhões do fundo partidário ao longo de 2018 para o milionário R$ 103 milhões em 2019, segundo o Tribunal Superior Eleitoral.

Aos deputados que participaram da reunião, Bolsonaro disse acreditar que o Tribunal Superior Eleitoral possa “congelar” os recursos do fundo partidário do PSL uma vez que eles foram adquiridos com votos dele de parte dos deputados que estavam presentes.

A ideia é que o presidente nacional da legenda, Luciano Bivar, ficaria impedido movimentar os R$ 8 milhões mensais que o partido recebe para manutenção da legenda. Para aliados de Bolsonaro, congelar os recursos já seria uma vitória para o presidente.

“Reiteramos o acordo firmado em 2018 com a grande maioria dos brasileiros de construir um país livre da corrupção, em nome dos valores republicanos voltados à consolidação da nossa bandeira de ética na democracia e de justiça social. Para isso, é necessário construir uma plataforma partidária ampla, cujo núcleo central é a solidez de um partido orientado pelos princípios e valores expostos acima, que nos foram confiados e seguem sendo defendidos pelos brasileiros. Esse partido, para nós, ainda é o PSL”, diz a carta.

O deputado federal Bibo Nunes (PSL-RS) garantiu que a saída da legenda está definida, mas que o PSL estuda uma medida jurídica para dar segurança aos deputados. Como o GLOBO mostrou ontem, Bolsonaro espera uma consulta que o Podemos deve encaminhar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para saber se, quando um partido incorpora outro, deputados podem migrar sem serem considerados infiéis.

 

 

O Globo