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PMDB pediu propina a empreiteiras mesmo depois da Lava Jato, diz delator

PMDB pediu propina a empreiteiras mesmo depois da Lava Jato, diz delator

21/04/2017 às 02h44
Por: Redação
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Foto: Reprodução
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executivo da Odebrecht Fabio Gondolfo afirmou em depoimento ao Ministério Público que o PMDB pediu propina a empreiteiras mesmo depois da deflagração da Operação Lava Jato. Gondolfo é um dos ex-executivos da empreiteira que firmaram acordo de delação premiada com o MPF (veja a partir dos 10 minutos e 40 segundos no vídeo acima).

De acordo com o delator, o partido teria solicitado propina ao presidente da UTC, Ricardo Pessoa, que liderava o consórcio com várias empresas para a execução da obra da usina de Angra 3. Além da UTC, as empreiteiras Odebrecht, Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez e Queiroz Galvão também faziam parte do consórcio.

Gondolfo relata que em setembro de 2014, Ricardo Pessoa convocou uma reunião com os integrantes do consórcio para tratar de assuntos operacionais das obras da usina. Ao final, segundo relata o delator, o presidente da UTC falou sobre "compromissos políticos" com o PMDB.

"E, no final [da reunião], o Ricardo -- isso era época de eleição, estamos falando aí em setembro de 2014 -- o Ricardo veio e falou assim: 'olha, eu assumi alguns compromissos políticos notadamente com o PMDB e eu queria compartilhar esses compromissos entre todos'", afirmou Gondolfo.

Na reunião, segundo o delator, os executivos disseram que não era um momento favorável para pagar propina e demonstraram preocupação.

"Ele veio falar de acordo político, que tinha acordo político pra pagar tal tal tal tal. O Dalton [Avancini, ex-presidente da Camargo Corrêa], que estava do meu lado, falou 'olha, Ricardo...' -- já tinha Lava-Jato e já tinha as empresas começado a trabalhar forte na questão de compliance. O Dalton falou 'Ricardo, você é maluco, né? Nós vamos agora assumir compromisso político que o Brasil tá vivendo? Nem a pau. Eu vou embora, eu saio do contrato'", disse o ex-executivo.

Gondolfo diz, então, que Ricardo Pessoa pediu sua opinião sobre o repasse mas que ele, como não tinha função "política" dentro da Odebrecht, não poderia decidir sobre o assunto.

"Ele falou: 'Fábio, e a sua opinião?'. E eu 'a minha opinião é a seguinte, eu não cuido de parte política; eu não contribuo politicamente dentro da minha empresa. Não é minha função. Segundo: eu sei que a Odebrecht faz contribuição política. Então, eu não sei se ela vai fazer contribuição política pra esses caras. Então, e terceiro: eu não concordo também pelo momento que a gente está vivendo, acho que é um risco muito grande, acho que é um risco muito grande. Pra quê?"', afirmou ao Ministério Público.

Fonte : G1

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