
A empresa G3 Polaris, citada em uma investigação do Ministério Público da Bahia sobre suspeitas de irregularidades em contratos públicos celebrados com a Prefeitura de Salvador, também manteve contratos milionários com o município de Jequié durante a administração do ex-prefeito Zé Cocá, situação que passou a provocar questionamentos sobre os valores pagos, os serviços executados e a fiscalização realizada pelo poder público municipal.
De acordo com levantamento baseado em registros públicos, a empresa recebeu mais de R$ 11 milhões da Prefeitura de Jequié entre os anos de 2023 e 2025, período em que Zé Cocá comandava o município, porém até o momento não existe informação oficial confirmando que esses contratos façam parte da investigação conduzida pelo Ministério Público ou que o ex-prefeito esteja sendo investigado no procedimento.
*Necessidade de esclarecimentos*
A apuração recente está relacionada a contratos celebrados em Salvador e busca esclarecer possíveis irregularidades envolvendo empresas prestadoras de serviços à administração municipal.
O fato de uma empresa investigada por sua atuação em outro município ter recebido valores milionários dos cofres públicos de Jequié justifica a apresentação de esclarecimentos detalhados sobre os processos licitatórios, os contratos assinados, os serviços efetivamente realizados, os critérios de fiscalização e os pagamentos autorizados durante a gestão de Zé Cocá.
A administração municipal deve informar quais secretarias contrataram a G3 Polaris, quais atividades foram executadas, quantos trabalhadores foram disponibilizados, como era realizada a conferência dos serviços e se houve aplicação de advertências, multas, glosas ou qualquer outra medida relacionada ao cumprimento das obrigações contratuais.
*Valores pagos e aditivos*
Também é necessário esclarecer se os valores divulgados correspondem aos contratos inicialmente assinados ou ao total efetivamente pago, incluindo possíveis aditivos, reajustes, renovações e ampliações realizadas durante o período em que a empresa prestou serviços ao município.
A contratação de uma empresa que posteriormente passa a ser investigada em outra cidade não torna automaticamente ilegais os acordos mantidos anteriormente com Jequié, mas aumenta a responsabilidade da Prefeitura de demonstrar que todas as etapas foram realizadas de forma regular e que o dinheiro público resultou na prestação dos serviços previstos.
O caso ganha ainda mais repercussão no momento em que Zé Cocá deixou o comando da Prefeitura de Jequié para seguir seu projeto político estadual, após renunciar ao mandato e transferir a administração para o então vice-prefeito Flavinho Santana, seu sobrinho.
*Dividas na prefeitura de Jequié*
A saída antecipada também passou a ser criticada por integrantes da oposição, entre eles o vereador Marcos do Ovo, que acusou o ex-prefeito de deixar o município com dívidas consideradas históricas, declaração de natureza política que ainda precisa ser acompanhada de documentos contábeis e informações oficiais para demonstrar o tamanho, a origem e o vencimento das obrigações mencionadas.
A combinação entre a renúncia para disputar uma nova função política, as acusações relacionadas às contas municipais e a descoberta dos pagamentos realizados à empresa investigada em Salvador amplia a cobrança para que Zé Cocá e a atual administração apresentem informações completas sobre a situação financeira encontrada e os principais contratos executados durante o mandato.
Até o momento, não há confirmação de que o Ministério Público da Bahia tenha aberto investigação específica sobre os contratos da G3 Polaris em Jequié, assim como não existem informações públicas indicando que Zé Cocá tenha sido incluído como investigado na apuração relacionada a Salvador.
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