
A tentativa de transformar em agressão o episódio envolvendo o governador Jerônimo Rodrigues no cortejo do 2 de Julho começa a ruir diante do histórico político de Cristielle Santos de Oliveira. Apresentada por setores da oposição como uma cidadã comum ou até como alguém ligada ao PT, ela já foi candidata a vereadora em Camaçari e entrou na política por uma coligação que apoiava Elinaldo Araújo, então candidato do Democratas e hoje liderança do União Brasil, partido de ACM Neto.
Segundo o BNews, Cristielle disputou a eleição municipal de 2016 pelo Partido da Mulher Brasileira, o PMB, e recebeu apenas 20 votos. Naquele ano, a sigla integrava a coligação “Unidos por Camaçari”, junto com o PRTB, no palanque de Elinaldo Araújo. O dado desmonta a narrativa de que a mulher seria uma personagem neutra, sem lado ou sem trajetória política.
No vídeo do 2 de Julho, a própria sequência também contraria a versão vendida pela oposição. O BNews relata que a mulher abraçou o pescoço do governador e disse: “Seu sorriso vai acabar”. Jerônimo retirou o braço dela do próprio pescoço, e ela reagiu com a frase que depois foi explorada politicamente: “Vai me machucar, é?”.
A movimentação política posterior de Cristielle também ajuda a entender o caso. Ela passou a circular no entorno do vereador Jackson Josué, de Camaçari. Jackson teve passagem pelo PT e já foi presidente do partido no município, mas rompeu com a legenda e hoje aparece na Câmara de Camaçari como vereador do União Brasil. Ou seja: usar imagens antigas ou aproximações circunstanciais para tentar vincular Cristielle ao PT é uma manobra para confundir o eleitor.
O que sobra, quando se retira a fumaça, é uma personagem com histórico político no campo adversário, ligada à oposição em Camaçari e distante da versão improvisada nas redes sociais. Cristielle não surgiu no cortejo como cidadã sem trajetória pública. Ela já disputou eleição, integrou palanque adversário ao PT em Camaçari e aparece vinculada a grupos que hoje fazem oposição ao prefeito Luiz Caetano e ao governador Jerônimo Rodrigues.
A operação seguiu o roteiro conhecido: provocar, recortar, inverter a cena e tentar transformar o agressor político em vítima. No dia maior da Bahia, a oposição tentou fabricar uma narrativa contra o governador, mas o histórico da própria personagem desmascara a farsa. O episódio não revela uma reação de Jerônimo contra uma cidadã comum; revela mais uma tentativa do grupo de ACM Neto de produzir factoide, explorar redes sociais e enganar o eleitor.
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