
Relatórios técnicos enviados à CPI do Crime Organizado e dados do Portal da Transparência revelam que as Forças Armadas repassaram, entre 2020 e o início de 2026, cerca de R$ 137,3 milhões ao Banco Master. O volume de recursos, oriundo majoritariamente de empréstimos consignados de militares, coloca o Exército Brasileiro como o segundo maior emissor de pagamentos à instituição financeira dentro da administração pública federal.
O Peso do Exército no Faturamento do Banco
Dos repasses totais realizados pelas Forças Armadas, a força terrestre concentra a vasta maioria dos valores. Segundo o levantamento:
• Exército: R$ 115,6 milhões
• Aeronáutica: R$ 17,7 milhões
• Marinha: R$ 4,0 milhões
O salto nas operações do Banco Master com o governo federal foi exponencial. Em 2020, o banco recebia cerca de R$ 3,2 milhões anuais da União. Em 2025, esse valor atingiu o pico de R$ 404,8 milhões, impulsionado pela facilidade de crédito consignado para servidores e militares.
Investigação e Liquidação
O fluxo financeiro entrou no radar das autoridades de controle após o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro de 2025. Relatórios de inteligência financeira do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) apontaram movimentações atípicas que sugerem que os recursos dos consignados podem ter sido desviados para finalidades alheias à atividade bancária regular.
A CPI que investiga a lavagem de dinheiro e o crime organizado busca agora entender se o credenciamento da instituição junto ao Ministério da Defesa e ao Exército seguiu critérios técnicos rigorosos ou se houve influência política na expansão agressiva da carteira do banco entre os militares.
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