
Ao tentar sustentar alianças simultâneas com diferentes forças políticas nacionais, ACM Neto revela não apenas pragmatismo eleitoral, mas também receio da força de Lula no eleitorado baiano. A estratégia do “palanque duplo” busca ampliar apoios sem assumir compromissos claros, mas corre o risco de ser interpretada como falta de coragem política em um estado onde a identificação com o ex-presidente segue forte e decisiva.
Analistas políticos apontam que a estratégia de Neto busca evitar a nacionalização do debate em momentos desfavoráveis, ao mesmo tempo em que se aproveita dela quando conveniente. Essa duplicidade, segundo especialistas, pode fragilizar sua imagem de liderança e transmitir ao eleitorado a sensação de oportunismo.
Na Bahia, onde Lula mantém índices de aprovação elevados e forte presença simbólica, a hesitação de Neto em se posicionar claramente pode ser interpretada como medo de enfrentar diretamente a influência petista. O “palanque duplo” — que inclui tanto aliados moderados quanto figuras ligadas ao bolsonarismo — revela uma tentativa de capturar diferentes segmentos do eleitorado sem assumir compromissos ideológicos.
O risco, avaliam cientistas políticos, é que a estratégia resulte em desconfiança generalizada. “Quem não se define, dificilmente transmite liderança”, resume um analista ouvido pela reportagem. Em vez de ampliar sua base, Neto pode acabar isolado entre dois campos, sem conquistar plenamente nenhum deles.
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