
O debate em torno do papel das feiras, festas e festivais literários no Estado fez parte da programação inaugural da Bienal do Livro Bahia 2026, nessa quarta-feira (15), no Centro de Convenções Salvador. Com a participação de estudantes, educadores, escritores e outros profissionais das letras no Espaço Café Literário, o encontro batizado de Painel Bahia Literária contou com as contribuições do assessor especial da Secretaria da Educação do Estado (SEC), Manoel Calazans; do secretário estadual de Cultura, Bruno Monteiro; do jornalista e apresentador Ricardo Ishmael; e da escritora e professora Bárbara Carine, sob a mediação do diretor-geral da Fundação Pedro Calmon (FPC), Sandro Magalhães.
Estreante na Bienal do Livro Bahia, Natália dos Reis, 15 anos, estudante do 1º ano do Colégio Estadual de Tempo Integral de Maragogipe, no Recôncavo Baiano, contou que estava comovida com a oportunidade de vivenciar um evento que estimula o gosto pelo livro. “É uma experiência única e que todo mundo deveria presenciar, porque a leitura abre caminhos para ganhar conhecimento, para aliviar a mente. É um hábito que deveria ser praticado por pelo menos uma horinha do dia. O vale-livro foi muito bem-vindo e eu acho uma iniciativa super necessária para incentivar a prática da leitura. É uma forma de incentivo e acesso aos livros."
Isabela Xavier, 17 anos, cursando o 3º ano no Colégio Estadual Professora Simone Simões Neres, no município de Inhambupe, falou da sua motivação de marcar presença na bienal e nos debates que o evento promove. “Sou muito interessada em livros. E este é um evento importante para aproximar os jovens no mundo da leitura. Já tenho na mente o exemplar que quero comprar com o vale-livro doado pela Secretaria da Educação, inclusive foi até uma das sugestões que a SEC deu, no Instagram”, disse, enquanto tentava puxar pela memória o nome e autor de uma das publicações recomendadas.
As reflexões do assessor especial da SEC, Manoel Calazans, estavam conectadas com o desejo dos estudantes na bienal, que é o de terem direito à leitura. “Nós, da Educação, acreditamos, validamos e precisamos das feiras literárias com uma frequência e escala ainda maiores. Produzimos 100 eventos literários na Bahia e o nosso grande desafio é chegar em todos os 417 municípios, por meio de políticas públicas de incentivo à leitura, de fomento aos novos escritores, trazendo professores e estudantes escritores para mostrarem as suas produções, dando visibilidade às suas obras. Tudo isso independente do que ocorre ao longo do ano letivo nas escolas, onde existem os clubes de leitura, a troca de livros, dentro do currículo escolar.”
Calazans destacou, ainda, a importância da distribuição dos vales-livros pela SEC, no valor de R$ 100 cada, para os dez mil estudantes de 250 escolas estaduais que visitarão a bienal, até o dia 21, com o intuito de incentivar o acesso às obras e promover a formação de novos leitores. “Mais uma vez, o vale-livro é um sucesso. Estudantes e professores estão pelos estandes, escolhendo seus livros. É um momento importante, principalmente, para o estudante, que vai escolher livremente o livro para chamar de seu e levar para casa. Isso é a prova de que uma verdadeira política de democratização do livro e da literatura tem que acontecer para que nossos estudantes se tornem leitores apaixonados pelos livros e sejam produtores de textos”, disse o assessor especial da SEC.
A importância da realização das feiras literárias em toda a Bahia foi realçada pelo secretário estadual da Cultura, Bruno Monteiro. “O nosso Estado é riquíssimo, é o lugar do cordel, da literatura infantil e, com isso, a gente vai promovendo uma possibilidade de as pessoas se sentirem pertencentes àquele ambiente. E nessas feiras, o público tem contato com o escritor que admira, a exemplo de Bárbara Carini, uma mulher negra, jovem, que está ali também nesse lugar, escrevendo e contando as suas histórias. Quantas meninas negras sentem que esse lugar também é pra elas? Então, esse direito a gente tem que garantir, eliminando as barreiras e levando a possibilidade a mais pessoas, de forma transversal, democrática e acessível.”
A escritora Bárbara Carine, por sua vez, ressaltou que o direito à literatura é, sobretudo, o direito ao desenvolvimento humano. “Esse direito como um marcador humanitário é fundamental porque, pela leitura, a gente desenvolve os instrumentos do pensamento, amplia a nossa capacidade cognitiva”. A autora de livros como "Educando crianças antirracistas" e "Como ser um educador antirracista” falou, também, sobre o momento atual de valorização e difusão da literatura na Bahia. “O que estamos vendo acontecer na Bahia é sem precedentes no Brasil, é revolucionário. Estamos falando de um Estado gigantesco que está realizando inúmeras feiras literárias em diferentes territórios de diferentes tradições culturais. A gente está assistindo a um processo de revolução na Bahia, construído por meio desses eventos literários.”
Bahia Literária
O Bahia Literária é uma iniciativa criada pelo Governo do Estado, em 2024, através da Secretaria de Cultura da Bahia, e executada pela Fundação Pedro Calmon, com o objetivo de abrigar diversas ações sobre o mundo da leitura e da literatura. O programa visa promover a leitura como prática social, fomentar a cadeia produtiva do livro e transformar a Bahia em um Estado leitor. Para tanto, algumas ações são promovidas pela Diretoria do Livro e da Leitura, no intuito de transformar o direito ao acesso ao mundo literário em política pública presente e consolidada. Em 2025, foram organizadas mais de 100 feiras literárias no território baiano. “Cada festa é unida e carrega a identidade no seu lugar, os sotaques, os temas, as urgências e os sonhos”, fundamentou o diretor-geral da Fundação Pedro Calmon, Sandro Magalhães.
Fonte: Ascom/SEC
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