
A consolidação da chapa liderada por ACM Neto (União Brasil) ao Governo da Bahia, tendo o prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP), como vice, desenha um cenário que extrapola as fronteiras estaduais. Mais do que uma disputa local, a composição reflete um intrincado tabuleiro nacional que une o "Centrão" de Brasília, a ala bolsonarista e nomes citados em recentes investigações financeiras.
O Elo Nacional: Ciro Nogueira e Antonio Rueda
A escolha de Zé Cocá não foi apenas estratégica para o interior baiano, mas um movimento direto do Progressistas (PP), sob o comando de Ciro Nogueira. O partido, pilar do conservadorismo nacional, busca retomar o protagonismo no Nordeste. Ao mesmo tempo, ACM Neto conta com a estrutura do União Brasil, presidido por Antonio Rueda.
No entanto, essa aliança carrega o peso de sombras recentes. Tanto Nogueira quanto Rueda tiveram seus nomes citados em diálogos do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso em março de 2026 sob acusação de fraudes bilionárias. Embora não haja condenação contra os políticos, a proximidade com Vorcaro é explorada por adversários como um símbolo de uma "elite financeira" desconectada das bases populares.
Direita Unificada e o Fator Bolsonaro
Para o Senado, a chapa já conta com o ex-ministro João Roma (PL), o que garante o apoio formal de Flávio Bolsonaro e do ex-presidente Jair Bolsonaro. Com a possível adesão de Angelo Coronel, o bloco se fecha como uma fortaleza de oposição ao governo Lula.
Lideranças alinhadas a essa chapa não escondem a simpatia por movimentos da direita global, incluindo o governo de Donald Trump nos EUA, utilizando pautas como a liberdade econômica e a segurança pública como pilares de campanha.
O Embate Social: PEC 6x1 e Direitos Trabalhistas
No campo das políticas sociais, a chapa enfrenta críticas severas da esquerda e de movimentos sindicais. O grupo de ACM Neto tem sido o principal foco de resistência à PEC da escala 6x1. Recentemente, o deputado Paulo Azi (União-BA), aliado histórico de Neto e relator da proposta na CCJ, tem sido acusado de travar o avanço do texto, alegando a necessidade de proteger o setor empresarial contra "custos excessivos".
Para os críticos, essa postura reforça a imagem de uma "elite branca" que atua para manter estruturas de poder e privilégios, em detrimento dos direitos básicos da classe trabalhadora baiana.
O que está em jogo?
Com a eleição de 2026 no horizonte, a Bahia se torna o principal laboratório de resistência ao PT no Nordeste. De um lado, a máquina estadual de Jerônimo Rodrigues e o apoio de Lula; do outro, uma coalizão poderosa que mistura o poderio do agronegócio, o prestígio do Centrão e a influência do bolsonarismo.
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