
A atuação de setores conservadores nas redes sociais levanta questionamentos sobre a falta de mobilização diante da violência contra a mulher, contrastando com o engajamento frequente em debates ideológicos e de costumes.
É possível observar um padrão.
Muitos dos que se apresentam como defensores da família estão diariamente ativos, especialmente em grupos de WhatsApp; debatendo, discutindo e se posicionando com intensidade sobre diversos temas. Mas quando o assunto é violência contra a mulher, o silêncio chama atenção.
Quantas dessas pessoas você vê compartilhando campanhas de combate ao feminicídio?
Quantas levantam a voz contra abusos, agressões ou abandono?
Enquanto isso, há um engajamento constante em pautas que geram confronto mais fácil, mais rápido, mais confortável.
E a incoerência se aprofunda quando essas mesmas vozes afirmam que “todos são iguais”, ao mesmo tempo em que minimizam problemas estruturais como o racismo ou ignoram a realidade de milhões de mulheres que vivem situações de vulnerabilidade.
No cotidiano, o que se vê é diferente do discurso idealizado de família.
Muitas mulheres são abandonadas, sobrecarregadas e, em muitos casos, impedidas de buscar autonomia. Outras são vítimas dentro do próprio ambiente familiar — justamente aquele que deveria ser de proteção.
Ainda assim, essas realidades raramente mobilizam a mesma energia.
Isso revela um comportamento cada vez mais comum: pessoas extremamente reativas nas redes sociais, mas pouco proativas quando se trata de enfrentar problemas reais.
Diante disso, a pergunta se impõe:
Será que esses autointitulados defensores da família estão dispostos a lutar contra a violência contra a mulher?
Ou preferem tratar o problema como exagero, negá-lo ou classificá-lo como “cortina de fumaça”, enquanto concentram atenção em temas mais simples de repercutir?
Defender a família exige mais do que opinião.
Exige compromisso com a realidade.
E essa realidade tem nome, tem rosto, e, em muitos casos, tem sido ignorada.
Reflita.
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