
O que era apresentado como um casamento sob a égide da "proteção" revelou-se, nos autos do processo, como um cárcere psicológico pautado por teorias de submissão. O tenente-coronel Geraldo Neto, de 45 anos, agora réu pelo assassinato da esposa, a soldado Gisele Alves, mantinha uma rotina de controle absoluto baseada na ideologia de "macho alfa".
As investigações da Polícia Civil de São Paulo, que culminaram na prisão preventiva do oficial na última quarta-feira (18), trouxeram à tona diálogos de WhatsApp que servem como peça-chave para o indiciamento por feminicídio e fraude processual.
"Macho Alfa e Fêmea Beta"
Nas mensagens obtidas pela equipe de reportagem, o oficial da Polícia Militar de São Paulo não apenas exercia autoridade hierárquica na corporação, mas tentava replicá-la dentro de casa através de um vocabulário comum em fóruns de extrema masculinidade.
"Eu te trato como todo homem macho alfa trata sua esposa. Com amor, carinho, atenção e autoridade de Macho Alfa provedor e fêmea beta obediente e submissa", escreveu Geraldo em uma das ocasiões.
Para os investigadores, o conteúdo não é apenas reflexo de uma visão de mundo arcaica, mas a prova material de um comportamento possessivo e patológico. O oficial monitorava desde o vestuário da soldado — proibindo roupas justas — até interações sociais básicas, como cumprimentar colegas de farda com beijos no rosto ou abraços.
O Crime e a Tentativa de Manipulação
O crime ocorreu no dia 18 de fevereiro, no apartamento do casal localizado no Brás, região central da capital paulista. Gisele foi morta com um tiro na cabeça. Além do homicídio qualificado pela condição de gênero (feminicídio), Geraldo responde por fraude processual. A suspeita é de que ele tenha tentado alterar a cena do crime antes da chegada dos peritos para sustentar uma versão que o inocentasse.
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