Nordeste vê aumento da desigualdade e metade da população sobrevive com apenas R$ 261 mensais.

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A concentração de riqueza aumentou na Região Nordeste no ano passado. Ao mesmo tempo, a Região Norte registrou melhora na desigualdade, mas em consequência de um fenômeno negativo: houve perda generalizada de renda em todas as faixas de população, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os resultados são referentes à renda média real domiciliar per capita de 2019, apurada pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua: Rendimento de todas as fontes 2019

O rendimento médio mensal real domiciliar per capita obtido de todas as fontes não alcançava o salário mínimo nem no Norte (R$ 872), nem no Nordeste (R$ 884), embora suba ao dobro desse valor no Sudeste, R$ 1.720. Na média nacional, a renda média domiciliar per capita de todas as fontes foi de R$ 1.406 em 2019.
A renda per capita da Região Nordeste teve o maior crescimento entre as regiões brasileiras no ano de 2019, 4,5%, mas puxada pelos ganhos dos mais ricos. Os pobres ficaram ainda mais miseráveis.
Na região Nordeste, metade da população sobrevivia com apenas R$ 261 mensais. Os 10% mais pobres contavam com R$ 57 por mês para sobreviver, menos de R$ 2 por dia, uma queda de 5,0% em relação ao dinheiro disponível no ano anterior. Por outro lado, a fatia 1% mais rica da população local recebeu R$ 11.800, um salto de 14,9% na renda dessas famílias em apenas um ano.
Como consequência, o Índice de Gini da renda domiciliar per capita subiu de 0,545 para 0,559 entre 2018 e 2019 no Nordeste. O Índice de Gini é um indicador que mede a desigualdade numa escala de 0 a 1, sendo maior a concentração de renda quanto mais próximo de 1 for o resultado.

Estadão