Epidemia de dengue já atinge 354 municípios baianos: casos aumentaram 561,6%

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Pelo menos 354 municípios baianos já tiveram casos de dengue em 2019. Os números do último boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) revelam que foram notificados 44.497 casos prováveis em toda a Bahia entre o dia 30 de dezembro do ano passado e a última quarta-feira (3).

Isso representa um aumento de 561,6% em comparação ao mesmo período de 2018, quando o estado registrou 6.725 casos prováveis da doença.  Até o momento, a Sesab recebeu a notificação de 38 óbitos por dengue na Bahia em 2019.

De acordo com a Sesab, 20 dessas mortes já foram confirmadas em laboratório – oito aconteceram em Feira de Santana, três em Salvador, duas em Paulo Afonso, uma em Candeias, uma em Rafael Jambeiro, uma em Saubara, uma em Jacobina, uma em Paripipiranga, uma em Presidente Dutra e outra em Santo Antônio de Jesus.

Outros 12 óbitos foram descartados com relação à dengue, enquanto outras seis mortes estão sendo investigadas.

Enquanto isso, os casos de Chikungunya caíram. Entre 30 de dezembro e o último dia 3, foram notificados 1.841 casos prováveis de Chikungunya no estado contra 3.095 do ano passado – isso significa uma redução de 40,5%. Até então, foram registrados três óbitos por Chikungunya, em Feira de Santana (2) e Candeias (1).

Já a zika, no mesmo período, teve 991 casos prováveis em 2019. No ano passado, foram 957 ocorrências – o crescimento foi de 3,5%, sem registros de óbitos.

Coração de Maria
Até a semana passada, a maior incidência de dengue na Bahia foi registrada na cidade de Coração de Maria, no Centro-Norte do estado. Com menos de 23 mil moradores, a taxa de incidência da doença é de 3.550,01 para cada 100 mil habitantes. O cálculo foi divulgado na semana passada, quando as ocorrências eram de 40.886 – entre 1º de janeiro e 18 de junho.

O Ministério da Saúde considera que o coeficiente de incidência abaixo de 100 casos por 100 mil habitantes representa baixo risco para ocorrência de surtos/epidemias; entre 100 a 299 casos é classificado como médio risco e acima de 300 casos há alto risco.

Mais dos metade dos 802 casos prováveis de dengue foram registrados no distrito de Retiro, que tem cerca de cinco mil habitantes. De acordo com a prefeitura, o principal desafio para se combater o avanço da doença ainda é convencer ao morador sobre a informação básica de que a transmissão do vírus é pelo mosquito Aedes aegypti.

“Aqui o povo é assim, está vendo a dengue se proliferar, mas quase ninguém faz nada, larga os reservatórios abertos. É uma dificuldade convencer esse pessoal sobre a gravidade do problema, acho que tem que nascer tudo de novo para abrir a mente deles”, disse a repositora de supermercado Andréa da Silva, 38.

Apesar dos números, ninguém morreu por arboviroses (dengue, zika e chikungunya) em Coração de Maria este ano. O alto risco para surtos/epidemias de zika, segundo os dados da Sesab, está apenas Paramirim, com 137 casos prováveis e coeficiente de incidência de 636,7; e para chikungunya somente Candeias – são 290 casos prováveis, e coeficiente de 334,6.

Mas para o Ministério da Saúde o recorte de coeficiente de incidência serve só para dengue porque para as outras arboviroses (zika e chikungunya) “a série histórica ainda não permite estabelecer um parâmetro para estimar a probabilidade de ocorrência de surtos e epidemias. O ideal é uma série histórica consistente de pelo menos 10 anos.

Sequelas
Em Coração de Maria, o problema da dengue é algo que preocupa muito o empresário gaúcho Luís Carlos Morete, 49, natural de Caxias do Sul e que há sete anos mora na comunidade rural de Fazenda Ferrovia, a cinco quilômetros da cidade e onde montou um restaurante.

Ele vinha levando uma vida normal até cinco anos atrás, quando foi picado pelo mosquito Aedes aegypti e pegou a febre chikungunya, que causa febre alta e dores nas articulações. Ele ficou de cama por três dias, “os piores da minha vida”.

“Para ir ao banheiro ia quase arrastado, devido às dores nas articulações. No dia que fui picado pelo mosquito estava no centro, eu vi o momento e já fiquei com medo de vir uma dengue, mas veio a chikungunya”, disse Morete.

Desde então, relata o empresário, trabalhar tem sido mais difícil, devido às dores nas articulações que ainda persistem, assim como o medo ser picado de novo pelo Aedes. “Tenho problemas de coração, receio de uma piora”, disse.

Por isso, ele diz que tem usado repentes todos os dias e toma sempre cuidado com água parada, mas observa que o papel que ele faz não é desempenhado por alguns vizinhos. Ele relatou que a sogra e um cunhado também já tiveram dengue.

“Não adianta ter o meu cuidado se os vizinhos não fazem o mesmo. Tem um aqui perto, por exemplo, que eu já vi reservatório dele com larva de mosquito, fui falar e ele achou ruim, disse que eu estava me metendo na vida dele”, comentou.

 

 

 

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