Por: Gabrielly Marqueton
Candeias, 30 de novembro de 2023. 20h:50
Grandes transformações físicas, emocionais e sociais ocorrem durante a adolescência, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). É também quando os jovens passam pelos primeiros encontros sexuais. No entanto, a maioria dos adolescentes carece de conhecimentos fundamentais sobre saúde sexual, contracepção e prevenção de doenças sexualmente transmissíveis (DST).
O tema da gravidez indesejada na adolescência tornou-se cada vez mais preocupante nos últimos anos. O Ministério da Saúde informou que 205 mil casos foram registrados no Brasil no ano passado entre pessoas de 10 a 19 anos. É evidente que educar os estudantes sobre métodos contraceptivos e responsabilidade sexual é crucial para enfrentar esta questão de forma eficaz. Portanto, devemos abordar esse tema de forma clara e adequada em sala de aula.
A nossa equipe foi até o Colégio Municipal Laurentino Nolasco da Cruz, localizado em Candeias-BA, e bateu um papo com a docente Áurea, que é responsável pelas aulas dos alunos do ensino fundamental 1.
(Alunos do Colégio Laurentino- by: Gabrielly Marqueton)
“eu penso que incluir a educação sexual no currículo escolar é importante, é interessante. A princípio iria ajudar bastante as crianças e adolescentes a se entenderem, a conhecer mais sobre certas questões que, às vezes, em casa, elas não têm acesso a uma resposta que possa satisfazê-las. É importante para que elas possam estar se permitindo falar sobre situações que às vezes acontecem com elas e elas não têm coragem de contar em casa. E a escola poder, de uma certa forma, está fazendo o seu papel de encaminhar essas crianças a órgãos que sejam realmente competentes para que possam estar ajudando essas crianças. Também creio que é importante para que, principalmente jovens que já entraram, que muito precocemente entram na vida sexual de forma muito precoce, para que eles possam estar conhecendo tudo que permeia essa vida sexual ativa, questão de doenças, a questão de uma gravidez precoce, não é? São tantas situações que envolvem hoje essa questão. Então, são muitas situações, e essas situações precisam ser realmente cuidadas de forma delicada. Então, eu penso que seria interessante, sim. Mas, antes desse assunto ser incluído no currículo escolar, eu penso que muitas coisas precisam serem modificadas. Porque você passar um conhecimento é uma coisa, e você querer imprimir o seu querer, o seu achismo, o seu pensamento a uma pessoa é outra. Infelizmente, hoje nós podemos observar que há pessoas que tentam, dentro das escolas, imprimir aos estudantes o seu pensamento político, sexual, enfim, para que um assunto desse possa ser incluído no currículo, na minha opinião se faz necessário algumas tomadas de decisão em relação ao governo para que possa realmente não tornar isso mais um instrumento na mão do professor para estar persuadindo esse indivíduo para isso ou para aquilo, eu acho que é algo muito delicado e sem um direcionamento correto, isso ao invés de ser bom, como eu pontuei antes, ser algo que poderia estar ajudando essas crianças, podem ser ao contrário muito ruins. Essa é a minha opinião”.
_ Professora Áurea.
Implementar a educação sexual infantil no currículo escolar pode ser desafiador devido a várias dificuldades, incluindo:
Resistência da comunidade e dos pais: Algumas partes da comunidade podem ter opiniões diferentes sobre quando, como e se a educação sexual deve ser ensinada aos estudantes. Alguns pais podem sentir desconforto com o assunto, considerando-o inadequado para a faixa etária de seus filhos. Isso pode gerar resistência e dificultar a implementação.
Falta de conhecimento e habilidades dos educadores: Nem todos os educadores têm conhecimento ou habilidades adequadas para ensinar educação sexual de forma precisa e inclusiva. A formação contínua dos professores pode ser necessária para permitir que eles se sintam confortáveis e confiantes em abordar o assunto.
A professora Áurea também abordou esse assunto durante o bate- papo com a nossa equipe.
(Alunos do Colégio Laurentino- by: Gabrielly Marqueton)
“Nada nesse mundo que você queira fazer, ele é sempre desafiador. Tudo que você planeja fazer é sempre um desafio, certo? Principalmente quando algumas implementações de alguns currículos, implementação de algumas pautas, enfim, seja elas quais forem, diz respeito ao outro, não é? A implementação da educação sexual no currículo escolar, ela é desafiadora, Como eu disse, a partir do momento que se não tiver algo realmente direcionado, para que essa educação na sala de aula não se torne um algóis para as crianças, e sim realmente caminho para que elas possam estar se encontrando e reconhecendo a importância de se falar desse assunto, mas com sobriedade, com descrição, sem medo, porque eu penso assim, muitas crianças não têm dentro de casa uma certa liberdade de falar sobre determinados assuntos com seus pais, por vergonha, pela falta de esclarecimento dos pais, não é? E eles buscam geralmente outras pessoas para que possam estar atendendo as suas expectativas em relação a respostas que eles querem ou pensam que vão ouvir de alguém. Hoje as nossas crianças de forma muito precoce, estão desenvolvendo rapidamente essa necessidade de está na vida sexual, hoje em dia é algo muito precoce. Há pais que com medo dos filhos se tornarem homossexuais. Põe filmes pornográficos para que os seus filhos possam assistir, achando que poderia, que vendo aquilo não vai enveredar por uma opção sexual que não seja desejada pelo pai. Tem pais que não aceitam certos pensamentos dos seus filhos, então essas crianças hoje, na verdade, elas estão sozinhas. Elas não têm um amparo devido para que possa. Está tendo os seus questionamentos respondido de uma forma clara, objetiva e que realmente direcione elas para um caminho correto. Isso não está acontecendo, infelizmente. Quando algumas crianças partem para perguntar alguém determinada coisa, as respostas geralmente são em cima do que o outro que está respondendo acredita, é em cima do seu pensamento e não de algo que realmente pode ser científico, por exemplo, mas é algo em cima daquilo que ele pensa. E esse, para mim, é o grande desafio dessa implementação, porque infelizmente hoje, não agravando a todos os professores, mas a gente vê aí nas universidades, no ensino médio, por exemplo, alguns profissionais de educação com alguns pensamentos próprios sobre determinado assunto e que eles tentam de qualquer forma incutir nesses alunos, fazer desses alunos uma pessoa que vai passar adiante, aquilo que eles desejam, que sejam multiplicador do seus pensamentos e o papel do professor é levar a criança, adolescente ou jovem a refletir e não da a ele uma resposta pronta, acabada , como se aquilo ali fosse engessado e não houvesse outra possibilidade. Ao contrário, é papel do professor, fazê-lo refletir dentro daquilo que foi posto, para que ele possa até estar buscando mais conhecimentos, levantando mais indagações e assim construir um conceito que atenda as suas expectativas, que atendam as suas necessidades. Porque essas crianças estão inseridas em uma sociedade que elas vão lidar com outros tipos de pensamentos, com outros tipos de postura, e elas precisam ter o seu pensar próprio em determinadas situações e em determinados assuntos e para elas ter esse pensamento próprio, elas precisam construir isso tendo como base, respostas claras, objetivas e que não tenham uma intenção por trás dessas respostas que estão sendo dadas a elas. Eu penso que, esse é o grande desafio da implementação da educação sexual ser inserida no currículo escolar.”
_ Professora Áurea.
É crucial enfatizar que estes desafios são administráveis e que, com um planejamento adequado, desenvolvimento profissional contínuo dos professores, envolvimento da comunidade e adoção de práticas de ensino inclusivas e respeitosas, é possível incorporar com sucesso a educação sexual infantil no currículo escolar.
Além disso, a educação sexual nas escolas contribui para a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, como o HIV/AIDS. Segundo o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre o HIV/AIDS (UNAIDS), mais de 130 milhões de pessoas vivem com o vírus no mundo, sendo que cerca de 40% delas têm entre 15 e 24 anos. A disseminação dessas doenças pode ser evitada através do conhecimento sobre métodos de prevenção, como o uso de preservativos, e a conscientização sobre a importância de testes e tratamentos.
Outro aspecto relevante é a promoção da igualdade de gênero e do respeito à diversidade. A educação sexual nas escolas auxilia na desconstrução de estereótipos e preconceitos, promovendo a aceitação das diferenças e a construção de relações saudáveis e igualitárias. Ao educar as crianças desde cedo sobre a importância do respeito às escolhas individuais e à autonomia pessoal, estamos contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
Portanto, a implementação da educação sexual nas escolas se faz urgente e necessária. É preciso superar os preconceitos e garantir que as crianças e adolescentes possam receber informações adequadas e confiáveis sobre sua sexualidade. Investir nesse tipo de educação é investir em saúde, prevenção, respeito e igualdade. É oferecer aos jovens ferramentas para que possam tomar decisões conscientes e responsáveis, garantindo seu bem-estar e contribuindo para uma sociedade mais segura e acolhedora.
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